06/02/2026 | 08h00  •  Atualização: 06/02/2026 | 11h28

Atlas Critical Minerals tenta quebrar resistência na Nasdaq

Foto: Divulgação/Atlas Critical Minerals

Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

Ao tomar o caminho pouco convencional entre junior companies, de fazer captação na Nasdaq, o grupo Atlas voltou a Nova York para novas rodadas de encontros com investidores, após recente listagem das ações da Atlas Critical Minerals na bolsa americana. No Brasil, a mineradora de porte médio reúne em seu portfólio projetos de grafite, minério de ferro e terras raras, localizados em Minas Gerais e Goiás.

Nas conversas, a empresa aproveita o bom momento de maior visibilidade do potencial das reservas minerais brasileiras. Contudo, enfrenta desconfiança de parte dos americanos sobre os riscos de implantação dos projetos no país, conforme relatou o presidente do Conselho de Administração e presidente-executivo da Atlas Critical Minerals, Marc Fogassa, à Agência iNFRA

“As preocupações dos investidores em relação ao Brasil são bastante claras e recorrentes: segurança jurídica, previsibilidade regulatória e estabilidade das regras ao longo da vida dos projetos”, disse o executivo. Ele apresenta a empresa como a única mineradora brasileira de terras raras com ações negociadas nos Estados Unidos. 

Na semana passada, Fogassa participou de sessão de negócios da Nasdaq para falar dos projetos. A viagem aos EUA teve o intuito de apresentar a estratégia de exploração de minerais demandados pela transição energética.

Fogassa ressalta que, apesar das incertezas sobre o Brasil, os investidores “reconhecem que o país tem uma geologia privilegiada e um papel potencialmente importante nas novas cadeias de minerais críticos”. “Os investidores querem entender como o ambiente de negócios vai evoluir para dar conforto a investimentos intensivos, que exigem muito capital e muitos anos de maturação”, ressaltou.

Ele citou o exemplo do trabalho de ONGs (Organizações Não Governamentais) que assumem posturas “muito agressivas” em relação aos projetos e espalham “desinformação a populações menos informadas e investidores”.

O grupo conta em sua estrutura societária com a Atlas Lithium, que seguiu por caminho parecido de listagem dos papéis na bolsa americana. Outra companhia do mesmo nicho, que fez esse mesmo percurso, é a Sigma Lithium, listada na Nasdaq.

Escolha incomum
As junior companies costumam optar pelos mercados da Austrália e do Canadá, mais familiarizados com o risco do negócio e a longa trajetória até gerar fluxo de caixa. O executivo da Atlas atribui a escolha pela captação no mercado americano a duas razões. A primeira, pelo tamanho. “O mercado de capitais dos EUA é aproximadamente 16 vezes maior que o canadense e 23 vezes maior que o australiano”, afirmou.

A segunda razão está relacionada à liquidez “ímpar” proporcionada pela listagem na Nasdaq. “Em menos de dez dias na Nasdaq, nossa média de volume tradeado [negociado] diário é entre 3 milhões a 4 milhões de dólares”, afirmou o executivo. “Entendemos que a Nasdaq é hoje um dos centros globais de capital mais atentos à convergência entre minerais críticos, transição energética, economia digital e segurança de cadeias de suprimento”, acrescentou.

O presidente da Atlas Critical Minerals afirmou que, nas reuniões dos últimos dias, o interesse maior veio de “investidores institucionais de longo prazo”. Ele explicou que trata-se de fundos especializados em recursos naturais, transição energética e tecnologia.

Ele considera a combinação entre a disponibilidade de 218 mil hectares em direitos minerais no Brasil e o foco em terras raras, grafite de grau nuclear e minério de ferro como grande trunfo da companhia. Soma-se a isso, ele diz, a preocupação em ter uma “estrutura de governança transparente”, como costuma ser exigido em mercados mais robustos e sofisticados, como a Nasdaq.

Dentro de seu portfólio geológico, a Atlas Critical Minerals destaca os dois tipos de projetos de terras raras (conglomerado, em Minas Gerais, e de argila iônica, em Goiás); o grafite de alta pureza, que pode ser usado em centrais nucleares; e o minério de ferro, com operação de pequeno porte e geração de caixa na região do Quadrilátero Ferrífero.

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