Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) prevê uma redução no volume de cortes obrigatórios de geração de energia, o curtailment, até 2030, mas com esse expediente ainda recorrente no fim da década. Segundo os técnicos, os cortes de geração por motivação energética (oferta maior que a carga) ou de confiabilidade (limitação de escoamento) devem cair de 19% das horas em 2027 para 14% em 2030.
Em termos de energia, esses cortes passariam de uma média mensal entre 3 GW (gigawatts) e 3,5 GW, com cortes de confiabilidade dentro desse universo na ordem de 500 MW médios em 2027, para algo entre 2 GW e 2,3 GW em 2030, com os cortes por confiabilidade em 240 MW.
As projeções constam de “avaliação com viés probabilístico” que integra de forma inédita o PEN 2026 (Plano da Operação Energética 2026-2030), apresentado nesta terça-feira (7) por técnicos do ONS na sede do órgão no Rio de Janeiro. Segundo eles, o estudo traz o limite inferior da projeção de cortes de geração que, portanto, deverão ser maiores na operação real dos próximos cinco anos.
“O curtailment, principalmente energético, continuará sendo comum na operação do SIN, ocorrendo com maior frequência entre 7h e 15h, com maior intensidade aos domingos”, preveem os técnicos do ONS. Esses cortes seguirão “expressivos”, principalmente durante a safra de ventos, entre agosto e outubro. Ou seja, em que pese a redução marginal do fenômeno, seu perfil não deverá ser alterado.
Segundo o órgão, a pequena redução nas intervenções terá a ver com um conjunto de fatores, sobretudo crescimento da demanda por energia até o fim da década e a inserção de soluções de armazenamento capazes de absorver a geração excedente, deslocando essa energia para utilização em horário de maior necessidade do SIN (Sistema Interligado Nacional), como BESS (sistemas de baterias, na sigla em inglês) e UHRs (usinas hidrelétricas reversíveis). No incremento desses dois fatores também se concentraria a maior chance de redução dos cortes.
Paralelamente, entram nesse contexto, também, a expansão da rede de transmissão e a esperada redução do ritmo de expansão da geração de energia eólica e solar fotovoltaica.
No período considerado (2026-2030), o curtailment energético, primeiro a ser realizado, seguirá “mais frequente e intenso”, chegando a 40 GW em todos os anos, mas com tendência de queda. Já o curtailment por confiabilidade, “menos frequente”, deverá variar de 7% das horas para 4% do tempo no fim do período avaliado, aponta o ONS.





