Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
O diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Thiago Ivanoski, afirmou nesta terça-feira (18) que a autarquia projeta, para daqui a dez anos, uma demanda de energia de 20 GW (gigawatts) somente para data centers.
“Essa carga (20 GW) é 1,5 vezes o consumo máximo que tem na região Nordeste do país hoje”, exemplificou Ivanoski. Ele participa nesta tarde de evento realizado pela FGV Energia, no Rio de Janeiro.
No horizonte mais curto, até 2030, essa projeção de carga – atualizada conjuntamente por EPE, ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) – está em 5,6 GW, tendo saltado 2,2 GW em apenas quatro meses, a maior variação para esse período. No intervalo anterior de quatro meses, essa variação havia sido menor, de 500 MW.
“Um aumento de 500 MW em quatro meses já é muita coisa. Tomamos um susto. E, agora, com 2 GW, foi um susto maior ainda”, diz Ivanoski. Ele reitera que o número de projetos tem crescido permanentemente e que o mercado de data centers segue aquecido no Brasil.
Redata
O diretor da EPE prevê que, quando for aprovado o PL (Projeto de Lei) 278/2026, que cria o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center), esse movimento de mercado deve se intensificar levando a uma antecipação de projetos, cujo incremento na carga previsto para dez anos deverá ser antecipado em cinco anos. O Redata institui incentivo fiscal federal para impulsionar a instalação data centers no país.
Interesse segue
Ele minimizou o fato de o PDE 2035 (Plano Decenal de Expansão de Energia) prever uma carga de 26 GW exclusivamente para data centers no horizonte de uma década. “Essas previsões vão se ajustando com o tempo e, não, essa diferença não significa esfriamento do interesse por data centers”, afirma.





