10/09/2026 | 12h14  •  Atualização: 10/09/2026 | 12h22

Mercado vê recuo da Petrobras no preço da gasolina por pressão do governo

Foto: André Ribeiro/Banco de Imagens Petrobras

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

Em pouco mais de quatro horas, a Petrobras deu sinais invertidos ao mercado de combustíveis e, no final, acabou revertendo um aumento que tinha anunciado para a gasolina fabricada em suas refinarias, de R$ 0,19 por litro. Embora a companhia alegue falha na comunicação ao mercado, e argumente que seu preço será de fato recomposto após o fim da subvenção na forma de “cashback” de impostos, os demais agentes da cadeia enxergam recuo motivado por pressão política, a três semanas da eleição presidencial.

O aumento, conforme anunciado inicialmente pela Petrobras nesta quarta-feira (9), perto das 20h30, seguia um padrão recente: o governo anunciava uma medida para suavizar os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços (subvenção ou “cashback” de impostos) e a companhia praticava um aumento na mesma medida, o que equilibrava financeiramente a sua operação e resultava em neutralidade de preços à cadeia e consumidor final na ponta.

Dessa vez, porém, essa dinâmica durou apenas até o início da madrugada, quando a Petrobras deu um passo atrás, surpreendendo pela segunda vez no dia o setor. Ao não reajustar o preço em linha com a desoneração de momento nos impostos federais (R$ 0,63 por litro relativo ao Pis/Pasep e Cofins), ela passa a permitir um desconto líquido, de R$ 0,19, às empresas distribuidoras.

“A distribuidora vai ver o preço Petrobras 44 centavos maior, só que vai também deixar de pagar 63 centavos em tributos. Como resultado, o efeito líquido é de uma redução de 19 centavos para as distribuidoras”, explica uma fonte da estatal.

O fato, porém, é que esse preço aos distribuidores seria de R$ 3,24 por litro com o aumento inicialmente proposto, e agora ficará limitado a R$ 3,05.

Executivos do setor, que tinham ficado positivamente surpresos com o aumento de preços a poucas semanas da eleição – visto que isso reduziria parcialmente a defasagem para o mercado internacional –, amanheceram confusos com o recuo na madrugada.

Para eles, ficou a impressão de que o governo agiu para garantir redução efetiva no preço a distribuidoras e, possivelmente, ao consumidor final. Mas isso, porém, não é garantido uma vez que os distribuidores têm sofrido com os preços altos do produto importado, diferença que precisa ser minimamente diluída no preço final do produto vendido ao varejo.

Falta de coordenação
Mais do que os sinais trocados, o episódio indicaria, na visão dessas fontes, desalinhamento na condução do governo e cúpula da Petrobras. Ainda na quarta-feira, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, chegou a dizer que não haveria “qualquer tipo de pactuação” com a Petrobras sobre preço de combustíveis.

“Ela [Petrobras] tem a governança dela própria, e ela que toma as decisões sobre preço. Aqui a gente olha preço final ao consumidor”, disse durante entrevista à imprensa.

Antes de assumir a pasta, Moretti chegou a exercer a função de presidente do Conselho de Administração da Petrobras e tinha, ao menos nesse período, interlocução direta com a presidente da estatal, Magda Chambriard, que ocupa uma cadeira no Board. A fala do ministro, que inspirou dúvida no setor com o movimento da estatal, volta a valer agora, mas sob uma perspectiva de falta de coordenação entre as partes.

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