da Agência iNFRA
O Brasil registrou 51 dias críticos de curtailment em 2026, até agosto. Isso significa que, em ao menos algum momento do dia, o corte de geração solar e eólica superou 60% da energia renovável disponível em um a cada cinco dias nesse período. Os dados são de um estudo da consultoria Volt Robotics divulgado nesta quarta-feira (16).
Em 12 desses dias, os cortes chegaram a 80%. No mesmo período de 2025, foram 30 dias com cortes acima de 60%, sendo sete com patamar de 80%. O indicador analisado identifica momentos em que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) precisou restringir, para garantir a segurança do sistema, uma parcela muito elevada da geração eólica ou solar que poderia ser produzida.
Segundo a Volt, de janeiro a agosto de 2026 o volume médio de cortes chegou a 3.853 MMWh médios (milhões de megawatts-hora médios), uma alta de 18,3% em comparação com o período anterior. Esse volume médio de energia solar e eólica cortado daria para abastecer todas as residências das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Fortaleza juntas no mesmo período, conforme o estudo.
Entre outubro de 2021 e agosto desse ano, a Volt Robotics identificou ao menos 73,4 milhões de MWh de cortes, considerando todas as razões e usinas analisadas. Em 2026, o curtailment por razão energética ou excesso de energia correspondeu a 67% de participação até agosto, ante 49% em 2025 e 21% em 2024.
Segundo a Volt, o crescimento desses episódios muda a natureza do debate. “O curtailment deixou de ser apenas uma perda comercial dos geradores ou uma consequência da expansão das renováveis, e passou a expor uma redução acelerada da margem de manobra do Sistema Interligado Nacional. Quando quase toda a geração solar e eólica controlável já foi cortada, resta pouco recurso para responder a uma nova queda de consumo, a um desvio de previsão ou à perda de outro elemento da rede elétrica”, diz o estudo.







