Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA
Um estudo da Volt Robotics apontou que as usinas hidrelétricas tendem a ser mais beneficiadas pela contratação de baterias no sistema elétrico do que as fontes eólica e solar. O trabalho, apresentado nesta terça-feira (22) durante o evento Encontro Técnico Armazenamento 2030, indicou que 88% da energia a ser usada para carregar as baterias viria de plantas renováveis, sendo a maioria por meio da redução do vertimento turbinável das hídricas.
Segundo números apresentados pelo CEO da Volt, Donato Filho, a redução do vertimento turbinável por causa das baterias traria ganhos de 66% para as hidrelétricas, que ainda teriam um incremento da geração da ordem de 18%. Isso reduziria também o risco hidrológico, o que tem efeito sobre os consumidores.
Já o efeito projetado das baterias sobre a redução do curtailment de eólicas e solares seria de 16%. Considerando os cortes entre 2024 e 2026, até o primeiro semestre, o ganho com a entrada das baterias seria de R$ 2,7 bilhões para hídricas e renováveis.
Durante o evento, realizado em Brasília pela Absae (Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia), Donato Filho explicou que o benefício maior das hídricas se deve ao fato de que a parcela que sofre com o vertimento turbinável é bem maior que a dos cortes de eólica e solar. No entanto, tudo dependerá da ordem de cortes a ser definida pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) na CP (Consulta Pública) 45/2019.
“Com as baterias sendo carregadas, de manhã vai aumentar a carga. Então vai ter que ter uma decisão sobre quem vai ser cortado menos. Que é a regra para alocar o corte que está em discussão na CP 45”, disse Donato, que continuou: “No estudo, a gente aplicou uma regra proporcional à potência que está sendo disponibilizada pelas fontes, e, como as hídricas são bem maiores, elas acabam sendo mais usadas para alimentar as baterias”.
Além disso, o armazenamento poderá reduzir em cerca de R$ 630 milhões por ano o montante de encargos hoje repassados aos consumidores, conforme o estudo. Isso porque os sistemas ajudariam a baixar alguns dos encargos existentes hoje, sobretudo pelo menor uso de térmicas, menor restrição da geração e redução do deslocamento hídrico.
Ainda segundo o estudo, a receita fixa das baterias deve ficar de 38% a 64% menor que a média do LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência) que contratou térmicas, realizado em março.
Custeio
O estudo abordou ainda o encargo de remuneração das baterias, cujo modelo de pagamento – que conforme a lei, será rateado entre os geradores – está em discussão na ANEEL. De acordo com a Volt, parte do custo pode ser repassada integralmente ao consumidor por causa de uma cláusula existente em contratos de geração do ambiente regulado que prevê que novos tributos e encargos criados após o leilão serão repassados para a tarifa.
Donato explicou, no entanto, que parte expressiva da capacidade instalada das fontes com vendas no ambiente regulado tem esse modelo de contrato e, por isso, não pagariam o encargo – repassando ao consumidor integralmente.
Pelo estudo, 100% das térmicas do ambiente regulado têm em seus contratos essa cláusula. Nas usinas a biomassa, isso se aplica a 80%. Para eólica, o modelo existe em 60% do parque, e, na solar centralizada, 30%.






