Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
A Mosaic lançou nesta quarta-feira (14) um estudo em que defende o início da produção comercial dos fertilizantes “híbridos” no Brasil, tecnologia que mistura nutrientes minerais com componentes biológicos. A estratégia pretende reduzir a importação de fertilizantes NPK (nitrogênio, fósforo e potássio) e, assim, aproveitar os minérios extraídos no pais.
O levantamento, produzido pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), ressalta que, em 2025, a produção nacional atingiu apenas 7,22 milhões de toneladas de fertilizantes, contra 43,32 milhões de toneladas de origem externa.
No estudo, a Mosaic aponta que os fertilizantes híbridos podem aumentar em 8,8% a produtividade dos nutrientes aplicados nas lavouras brasileiras. Na prática, isso seria capaz de aumentar a eficiência do uso de fertilizantes minerais e ajudar a reduzir a importação.
O gerente sênior de Pesquisa & Desenvolvimento da companhia, Flávio Bonini, afirmou que a estratégia não tem o objetivo de substituir o método tradicional de adubação mineral. Segundo ele, esse grupo fertilizante cumpre um papel importante pela capacidade de reter os nutrientes minerais no solo por tempo mais prolongado.
“O fertilizante híbrido é conhecido por sua múltipla função. Ao mesmo tempo em que é rico em nutrientes minerais, ele usa componentes biológicos para aumentar a eficiência dos nutrientes e prolongar o efeito”, disse Bonini, em entrevista à Agência iNFRA. Em geral, os componentes biológicos incluem microrganismos ou bioestimulantes.
Perdas
O executivo da Mosaic explicou que, pelo método de adubação tradicional, a planta “enxerga” apenas 30% do fósforo aplicado. Outro exemplo é a perda de nitrogênio, que pode ocorrer na forma de gases ou pela ‘lavagem’ do solo causada pela chuva.
A pesquisa da FGV indica que o processo relacionado ao uso de fertilizantes híbridos também pode favorecer a retenção de água e a tolerância das safras aos estresses hídricos e térmicos associados às mudanças climáticas. Contudo, a análise ressalta que “esses efeitos não são automáticos nem imediatos” e as “respostas biológicas podem se tornar mais perceptíveis após dois ou três anos”.
O estudo “Eficiência no Uso de Fertilizantes e Novas Tecnologias Biológicas de Nutrição de Plantas”, produzido pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV, avaliou o benefício econômico do fertilizante híbrido em lavouras de soja em quatro regiões produtoras: Sorriso (MT), Goiânia (GO), Selvíria (MS) e Botucatu (SP).
O estudo da FGV mostrou que o produto, comercializado nos Estados Unidos e no Paraguai, também garante a redução em 5,25% das emissões absolutas de carbono por hectare.
Sem classificação
Bonini, da Mosaic, afirmou que o estudo trata das barreiras regulatórias que impedem o início da produção e comercialização de fertilizantes híbridos no Brasil. O produto ainda não recebe classificação no PNF (Plano Nacional de Fertilizantes, Decreto 10.991/2022), nem no marco legal dos bioinsumos (Lei 15.070/2024).
“Os fertilizantes híbridos apresentam potencial para responder a desafios estruturais do agronegócio brasileiro, como a dependência de insumos importados, a volatilidade dos custos e a necessidade de ampliar a eficiência produtiva e ambiental”, ressaltou o estudo, que recomenda avançar na definição dos critérios de enquadramento, registro e rotulagem do produto.





