Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
A demanda global por terras raras deve crescer um terço (ou 33%), superando o volume de 120 mil toneladas, até 2030, diz estudo da AIE (Agência Internacional de Energia) publicado na quarta-feira (8). Tomando como referência o consumo de 2024, a agência prevê a elevação da demanda para mais de 90% até 2050, atingindo 175 mil se mantidas as atuais políticas do setor.
Os chamados ETRs (Elementos de Terras Raras) são considerados insumos essenciais usados para fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de alta tecnologia dos setores de defesa e consumo da população.
De acordo com a agência internacional, os motores de veículos elétricos, por exemplo, são responsáveis “significativamente” pelo crescimento dessa demanda. O segmento deve dobrar sua participação atual entre as diferentes indústrias, alcançando 18% da demanda até 2030.
As projeções da AIE consideram especialmente as terras raras de ímãs permanentes (neodímio, praseodímio, disprósio e térbio), que oferecem maiores desafios para garantir a segurança no suprimento. Há duas décadas, aponta o documento, esses três elementos eram demandados em volume muito menor por usos mais comuns, como sensores e alto-falantes.
O relatório “Elementos de Terras Raras: Caminhos para cadeias de suprimentos seguras e diversificadas” indica que, com a mudança desse cenário, a demanda pelos ímãs permanentes dobrou na última década, desde 2025. A análise informa que cada motor de tração do veículo elétrico exige aproximadamente de 2 a 4 kg (quilos) desse tipo de ímãs, enquanto o carro convencional exige “apenas algumas centenas de gramas” desse material.
A agência internacional ressalta ainda que as vendas globais de VEs cresceram a uma taxa anual média de 50% desde 2014. Houve um salto de 300 mil unidades para mais de 17 milhões em 2024. “Os VEs emergiram como um dos principais impulsionadores do crescimento da demanda por terras raras de ímãs, aumentando sua participação na demanda de menos de 1% em 2015 para 9% hoje”, destacou.
Além do aumento da frota de carros elétrico, a demanda por terra raras será impulsionada até 2030 pelo “crescimento emergente” de outros segmentos. A AIE cita as áreas de automação, robótica e tecnologias digitais.
Diversificação
O relatório da AIE alerta para alta concentração na cadeia de suprimento das terras raras. “A produção de terras raras de ímãs permanece altamente concentrada na China em todos os estágios da cadeia de suprimentos”, ressalta o documento.
A agência internacional informa que, em 2024, a China representou 86% da produção global de mineração de terras raras leves e 62% das terras raras pesadas. No refino, o gigante asiático dominava o mercado com 91% da produção refinada. Na etapa seguinte de processamento, com a produção de ímãs permanentes, o país respondia 95% da produção global.
Na visão da entidade, a liderança chinesa é explicada pelo fato do país antecipar seu posicionamento no mercado. “A China desempenha um papel importante no mercado de terras raras, que evoluiu significativamente desde os anos 2000. Por meio de políticas e regulamentações, o país transformou sua indústria de terras raras em um ecossistema de alto valor”, destaca o relatório.





