24/03/2026 | 20h47  •  Atualização: 24/03/2026 | 22h13

Alta do diesel provocada pela guerra preocupa mineradoras, diz Ibram

Foto: SeaWaves/Flickr

Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

A alta no preço do diesel, provocada pela guerra no Oriente Médio, tem preocupado as mineradoras brasileiras quanto aos impactos sobre o custo de produção do setor, afirmou Pablo Cesário, diretor-presidente interino do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração), em entrevista à Agência iNFRA.

“O diesel é um combustível amplamente utilizado na mineração e, então, os custos de produção são afetados. O transporte interno nas minas quase todo é diesel, que é base da energia de locais isolados também. O diesel é muito relevante para a gente”, afirmou Cesário.

O presidente do instituto afirmou que a situação do setor, diante das ameaças de restrições da passagem de navios no Estreito de Ormuz e ataques às plantas de produção e refino no Oriente Médio, tem sido discutida neste momento com o governo.

“A gente observa aumento de custos e busca com o governo alternativas de políticas públicas, mas não há uma solução curta ou mágica. Todas elas têm custo e, no fundo, o melhor seria a retomada da paz e do comércio. Essa é a melhor solução”, disse Cesário, que também é diretor de relações institucionais da entidade.

Questionado sobre quais medidas poderiam ser consideradas, o presidente do Ibram afirmou que, dada a complexidade da situação, ainda não é possível apontar uma solução.

“Não existe ‘bala de prata’. Inclusive, os conflitos parecem ter diminuído de intensidade. Isso muda, de novo, o cenário. Nesse caso, nesse momento, o importante é monitorar e se preparar”, disse Cesário.

Na avaliação do Ibram, as saídas mais claras para o país neutralizar a alta do diesel são todas de médio a longo prazo. O executivo disse que a busca pela autossuficiência na produção de diesel, por exemplo, “não é trivial”.

“Por questão econômica e de engenharia mesmo, o nosso petróleo tem uma composição diferente que leva a produtos diferentes. Há também uma questão de competitividade dessas usinas aqui. Não é um desígnio de vontade, que se faz o que se decide. Longe disso”, afirmou.

Outras saídas, apontadas pelo executivo e também reconhecidas como desafiadoras, envolvem o investimento em ferrovias e na eletrificação da malha rodoviária como forma de reduzir a dependência de diesel no transporte de minerais.

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