Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
O preço médio do diesel S10 ao consumidor final subiu 3% em uma semana, saindo de R$ 7,35 para R$ 7,57 por litro, indica o levantamento de preços da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), publicado nesta sexta-feira (27). Com isso, o insumo já acumula alta de 24,3% desde o início da guerra no Oriente Médio, há quase um mês, em 28 de fevereiro.
Esse aumento ainda está ligado a um repasse residual do aumento de 11,6% praticado pelas Petrobras no preço de suas refinarias em 14 de março, mas também se deve aos repasses de preço de cargas mais caras, importadas ou compradas junto a refinadores privados, que seguem com preços entre 60% e 75% acima dos fornecidos pela Petrobras, a depender da origem. Se o produto vem da Rússia, por exemplo, essa disparidade ante o produto Petrobras é menor. Se vem do Golfo do México (EUA), ela é maior.
Esse preço médio de diesel S10 considera a semana entre os dias 22 e 28 de março. O preço por litro mais baixo encontrado pelos técnicos da ANP no período foi de R$ 5,90, em posto do nordeste, mas o produto chegou a ser vendido por R$ 9,99 no sudeste. Entre as regiões, os preços médios se aproximaram, sendo o mais alto registrado no sul do país (R$ 7,64), seguido do Norte (R$ 7,63). O mais baixo (R$ 7,53) aconteceu no Nordeste, com Sudeste (R$ 7,55) e Centro-Oeste (R$ 7,56) um pouco acima deste patamar.
Gasolina
Já a gasolina comum viu o preço médio nacional subir 1,9%, de R$ 6,65 para R$ 6,78 por litro, nesta semana ante os sete dias anteriores, mostram os dados da ANP.
Desde o início da guerra no Oriente Médio, a alta acumulada é de 7,9%, bem abaixo da verificada no diesel, combustível mais pressionado por um conjunto de fatores que vão desde a maior necessidade de importação – o Brasil importa até 30% do diesel que consome, mas só algo entre 5% e 10% da gasolina – e o aumento da demanda do agronegócio ligada às colheitas e semeaduras das safras agrícolas, realizadas por caminhões a diesel.
De sua parte, o preço da gasolina é ajudado pelo mandato do etanol anidro na mistura (30%) e pela distensão da demanda, que em muitos casos se divide com o etanol hidratado, que atende os carros flex.
Pressão do governo
O governo segue pressionando distribuidores, importadores e varejistas a não aumentarem seus preços para além dos reajustes da Petrobras, com aumento da fiscalização e combate a abusos de preços e formação de cartel. As operações envolvendo a Senacom (Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça), Polícia Federal e ANP têm aberto inquéritos policiais e aplicado multas.
Para além dos repasses dos aumentos praticados pela Petrobras, fornecedores privados e importadores, agentes distribuidores alegam que os custos de reposição dos estoques se baseiam nos preços correntes do mercado, inflados, e lembram que a formação dos preços de combustíveis líquidos no Brasil é livre.





