Luiz Araújo, da Agência iNFRA*
O Brasil concentra 13 dos 16 aeroportos identificados como os mais congestionados da América do Sul, cenário que, segundo a Alta (Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo), evidencia gargalos de infraestrutura e a necessidade de novos planos de expansão de longo prazo. O diagnóstico foi apresentado durante o Alta AGM & Airline Leaders Forum 2026, realizado na Cidade do México.
Entre os aeroportos brasileiros que já enfrentam problemas de capacidade estão Recife (PE), Guarulhos (SP), Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ). O levantamento também identifica terminais que registram congestionamento em períodos de alta temporada e podem enfrentar problemas crônicos no futuro, como Brasília (DF), Porto Alegre (RS), Viracopos (SP), Fortaleza (CE) e Salvador (BA).
Durante entrevista à imprensa, o CEO da Alta, Peter Serdar, afirmou que a situação reflete tanto a expansão do transporte aéreo quanto a falta de planejamento para acompanhar esse crescimento. “É um bom problema, no sentido de que nosso tráfego vem crescendo, mas é um problema sério, porque não planejamos esse crescimento na última década de maneira mais responsável”, declarou Peter.
O executivo defendeu que governos e empresas desenvolvam novos planos de expansão aeroportuária, com continuidade independentemente das mudanças cíclicas de comando. Isso porque, destacou, grandes intervenções, como a construção de novos terminais e pistas, podem demandar mais de dez anos. “Precisamos desenvolver um plano para a aviação que ultrapasse os mandatos presidenciais”, disse.
Reforma tributária
Na mesma apresentação, o executivo apontou possíveis impactos da reforma tributária brasileira sobre o preço das passagens e a demanda por transporte aéreo. Segundo as projeções da entidade, as mudanças previstas podem resultar em uma redução de aproximadamente 25 milhões de passageiros por ano no país. A estimativa considera uma retração de 17,8% no mercado doméstico, equivalente a cerca de 20 milhões de passageiros, e de 21,1% no internacional, com aproximadamente 5 milhões a menos.
Outro obstáculo destacado foi o custo das tarifas de sobrevoo cobradas das companhias aéreas. De acordo com os dados apresentados, o Brasil registra cobrança de US$ 1,95 mil por 1 mil quilômetros para voos internacionais operados com aeronaves Boeing 787-9, a segunda maior entre os países comparados, atrás apenas da Argentina, com US$ 2,76 mil. O valor é bem superior ao de outros vizinhos como Chile (US$ 228), Peru (US$ 840) e Colômbia (US$ 883).
*O repórter viajou a convite da Alta (Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo).





