da Agência iNFRA
O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o Brasil vive um ciclo histórico de retomada dos investimentos em infraestrutura ferroviária, após décadas de obras paralisadas e baixa prioridade ao modal. Em entrevista ao EsferaCast, ao ar nesta quarta-feira (14), o ministro destacou o lançamento da Política Nacional de Outorgas Ferroviárias e de uma nova carteira de projetos, que prevê concessões e autorizações para novas ferrovias a partir de 2026, com foco na atração de capital privado.
“O Brasil vive hoje a máxima histórica de investimento em ferrovias”, disse. Ele citou o andamento de obras como a Transnordestina, a Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), a Fico (Ferrovia de Integração Centro-Oeste) e a conclusão da Norte-Sul. “Só essas três grandes obras geram aproximadamente 20 mil postos de trabalho”, afirmou.
A nova política ferroviária estabelece, dentre outros pontos, o maior valor de outorga como critério preferencial nos leilões ferroviários e permite que os recursos arrecadados sejam usados tanto no próprio projeto quanto em outras malhas, por meio de subsídios cruzados. O texto também reforça a sustentabilidade das concessões ao prever mecanismos de mitigação de risco, como uso de recursos orçamentários, contas vinculadas para controle financeiro e a destinação de valores de outorgas, prorrogações e repactuações para financiamento dos projetos.
Renan Filho ressaltou que a retomada do setor ferroviário tem impacto direto na competitividade do país. “A ferrovia reduz o custo, garante melhor escoamento da produção e estrutura a infraestrutura de maneira mais adequada para um país exportador como o Brasil”, declarou. Para ele, o novo ciclo marca uma mudança em relação ao passado recente. “Durante muito tempo o Brasil ficou para trás, com obras paradas. Isso deu uma baixa autoestima ao setor. Agora ele está revigorado.”
Entre os próximos projetos, o ministro citou ainda o chamamento público para uma ferrovia ligando Minas Gerais à região portuária do Rio de Janeiro, além da EF-118, que deve integrar as malhas do Espírito Santo e do Rio. “Esse pipeline de projetos ferroviários é muito convidativo. O mundo está olhando”, afirmou, ao comparar a expectativa para o setor com o interesse internacional observado nos leilões de rodovias. “A nossa carteira de rodovias chamou a atenção do mundo inteiro e agora vai acontecer o mesmo com as ferrovias.”
O ministro também citou como prioridade a proposta de reformulação das regras da CNH (Carteira Nacional de Habilitação). “Queremos tornar a CNH mais barata, menos burocrática e mais rápida, para incluir milhões de brasileiros”, afirmou.








