03/03/2026 | 14h00

Crise no Oriente Médio deve afetar primeiro exportação de carnes

Foto: Domínio Público

Luiz Araújo, da Agência iNFRA

As exportações brasileiras embarcadas em contêineres, como carnes, tendem a ser as primeiras a sentir os efeitos da escalada da crise no Oriente Médio, atingindo portos líderes nesse segmento, como os de Santos e Paranaguá. Na aviação, a combinação de fatores deve levar passageiros a perceber aumento imediato no preço das passagens internacionais. A avaliação predominante é que, embora o cenário remeta a crises recentes, as consequências podem ser mais duradouras.

O agravamento decorre de ataques coordenados pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã no fim de semana, que resultaram na morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Na segunda-feira (2), conforme noticiado pela Reuters, o comandante da Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o Estreito de Ormuz, responsável por cerca de 20% do transporte mundial de petróleo, está fechado e que o país incendiará qualquer embarcação que tentar atravessá-lo.

Segundo Leandro Barreto, CEO da Solve, empresa de inteligência logística, embora haja embarques de grãos e açúcar em navios de perfil distinto, a pressão mais imediata recairá sobre a logística conteinerizada. Com isso, terminais específicos tendem a enfrentar impactos mais intensos. A carne bovina tem como principal ponto de embarque o Porto de Santos, enquanto as exportações de carne suína e de frango se concentram nos portos do Sul, como Paranaguá, Itapoá, Navegantes e Rio Grande.

Aviação
O diretor-presidente da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), Tiago Faierstein, afirmou que os efeitos da escalada do conflito sobre a aviação civil se distribuem em três frentes – todas resultando em alta de preços ao consumidor. A primeira é macroeconômica: a elevação do petróleo pressiona o querosene de aviação e o dólar. “Esse ambiente tende a encarecer as operações e pressionar o valor das passagens”, disse à Agência iNFRA

A segunda, apontou, é operacional – com alteração e cancelamento de rotas, exigindo desvios e percursos mais longos. “Rotas que antes eram diretas passaram a sofrer mudanças ou cancelamentos, demandando trajetos mais extensos, com maior consumo de combustível”, disse Faierstein.

A terceira frente envolve a oferta de voos. Dubai e Doha funcionam como hubs relevantes para as conexões do Brasil com a Ásia, e o fechamento de aeroportos e cancelamentos na região geraram a necessidade de reacomodação de passageiros. A crise deve afetar principalmente companhias que utilizam o Oriente Médio como destino final ou centro de conexão, como a Emirates e a Qatar Airways.

Crise potencial
Para Leandro Barreto, da Solve, há elementos inéditos neste episódio em comparação com crises anteriores. O principal, segundo ele, é a magnitude do impacto sobre a cotação do petróleo, que abriu em forte alta nos mercados internacionais. O executivo observa que o choque não se restringe ao transporte marítimo, mas alcança caminhões e locomotivas movidos a diesel, ampliando a pressão inflacionária. “Quanto maior a pressão sobre os preços do petróleo, maior o impacto inflacionário, inclusive nos Estados Unidos”, afirma.

Barreto avalia que, sem capacidade de confronto militar direto com os Estados Unidos e Israel, o Irã tende a utilizar o mercado de energia como instrumento de pressão geopolítica. Entre as estratégias possíveis, estariam bloqueios no Estreito de Ormuz ou ofensivas contra bases no Golfo Pérsico para tensionar a oferta global da commodity. Na visão do executivo, essa dinâmica pode gerar efeitos econômicos mais persistentes do que em episódios recentes, ampliando o risco de desaceleração mundial.

O impacto sobre o frete marítimo tende a ser imediato. O combustível representa cerca de 30% do custo de uma viagem, e aumentos costumam ser repassados rapidamente às tarifas. Conflitos dessa natureza também provocam desvios de rotas, trajetos mais longos e congestionamentos portuários, reduzindo a capacidade operacional da frota. Como referência, os ataques dos Houthis no Mar Vermelho chegaram a triplicar o valor dos fretes em determinadas rotas.

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