05/03/2026 | 14h59  •  Atualização: 05/03/2026 | 15h56

Distribuidoras elevam preço de combustíveis mesmo sem reajuste da Petrobras

Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

As distribuidoras de combustíveis já aumentam os preços dos produtos vendidos aos postos de abastecimento do país em algumas regiões, sobretudo no Norte, Nordeste e Centro-Oeste, disseram à Agência iNFRA fontes do próprio setor e do restante da cadeia.

Isso corrobora a manifestação do presidente do Sindicombustíveis-DF (Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes no Distrito Federal), Paulo Tavares, nesta quarta-feira (5). Segundo Tavares, os efeitos da guerra no Oriente Médio, com aperto na oferta de derivados de petróleo e consequente escalada de preços, “chegam hoje aos postos brasileiros”. As distribuidoras já estariam reajustando o diesel em R$ 0,20 por litro e a gasolina em R$ 0,03 por litro, disse.

O aumento, segundo o executivo, vem apesar de a Petrobras, fornecedora dominante no mercado, não ter mexido nos preços em suas refinarias. A alta se deveria, portanto, ao encarecimento da parcela importada pelas distribuidoras, o que, no caso do diesel, varia de 20% a 30% do consumo nacional e, no caso da gasolina, fica na casa dos 5%.

A Ipiranga, uma das três maiores distribuidoras do país, destacou em nota à Agência iNFRA que o setor de combustíveis é “influenciado por diversos fatores”, no caso do diesel pelo fato de que cerca de 30% do volume consumido no país é importado. “Diante desse contexto, a empresa acompanha continuamente as condições de mercado e pode realizar ajustes comerciais, sempre em conformidade com a legislação vigente e alinhada às práticas do setor”.

A questão da alta no preço de diesel, gasolina e GLP (gás liquefeito de petróleo) pelo condão das distribuidoras ou dos donos de postos de gasolina, sem que a Petrobras tenha modificado os valores em refinarias, é um ponto de estresse entre governo e mercado desde o início do governo Lula. O entendimento do Planalto, do MME (Ministério de Minas e Energia) e da própria Petrobras é de que os esforços da estatal em reduzir ou manter seus preços estáveis acabam não chegando ao consumidor final em função da precificação injustificada dos intermediários. Isso tem sido alvo de reclamações públicas do presidente Lula e representantes do governo, tendo sido levado a instâncias como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O episódio, agora, abre nova janela de atrito entre as partes, embora esteja razoavelmente fundamentado segundo fontes do mercado.

Outros fatores
O presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sergio Araujo, afirma que o movimento das distribuidoras é plausível e se justificaria por uma série de motivos: o primeiro é justamente a influência da parcela importada no preço final do produto repassado aos lojistas; depois, o fato de essas empresas também distribuírem combustíveis de refinarias privadas que observam o PPI (Preço de Paridade de Importação) e têm reajustado seus preços, a exemplo da Acelen (Refinaria de Mataripe), na Bahia; e, por último, ao peso do preço dos biocombustíveis, etanol anidro e biodiesel respectivamente, no preço final das misturas da gasolina (30%) e do diesel (15%). Segundo Araújo, em alguns casos, mesmo sem fundamento real, os produtores desses insumos têm elevado seus preços.

Questionado sobre a conduta da Petrobras, Araújo, que há poucos dias dissera que o ideal seria a estatal “esperar a poeira baixar”, afirma agora que a empresa já deveria reajustar os preços praticados nas refinarias para evitar perturbações e distorções de mercado. Segundo Araújo, nas últimas horas se consolidou um entendimento de que a instabilidade no Oriente Médio e a alta de preços no mercado de óleo e gás “não vão durar menos do que algumas semanas”.

Ele lembra que o represamento dos preços da Petrobras trava a atuação de importadores, que renunciam à internalização de cargas a preços muito mais altos que os da estatal e também gera um contraste regional e estresse logístico. Isso porque regiões melhor abastecidas pelo sistema Petrobras, como o Sudeste, assistem a preços mais baixos, enquanto outras regiões, principalmente Norte e Nordeste, experimentam preços mais altos por dependerem mais de refinarias privadas e do produto importado. No limite, diz o executivo, o varejo dessas regiões poderiam passar a buscar combustível Petrobras em bases mais afastadas da companhia, estressando o transporte do produto por caminhões.

Petrobras
No início da semana, fontes da Petrobras descartaram, à Agência iNFRA, repassar a volatilidade externa para o preço dos combustíveis e disseram que, antes de qualquer mudança, seria necessário uma consolidação do patamar mais elevado do preço internacional do petróleo e seus derivados.

Segundo a Abicom, no fechamento do mercado desta quarta-feira (4), os preços do diesel Petrobras estavam R$ 1,51 por litro ou 47% abaixo do preço de paridade de importação, enquanto a gasolina estava R$ 0,47 por litro ou 19% abaixo dessa referência internacional, ancorada nos preços do Golfo do México (EUA).

Historicamente, a Petrobras nega essa defasagem para seus produtos em função da escala do seu negócio e fatores como a concorrência do diesel russo, dominante no mercado brasileiro desde o primeiro semestre de 2023. Ainda assim, mesmo que a leitura dos técnicos da estatal sobre essa defasagem seja menor, os preços da companhia estão pressionados como poucas vezes nos últimos anos e fontes de mercado já trabalham com a possibilidade de um reajuste nas próximas semanas.

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