Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
O gerente geral de Novos Negócios da Eneva, Rodrigo Calado, afirmou nesta terça-feira (18) que soluções de geração de energia a gás natural podem suprir a necessidade dos projetos de data center em sua etapa inicial, enquanto não conseguem acessar a rede elétrica. Em um segundo momento, diz Calado, também podem servir à modulação da variação da energia renovável. A combinação de gás da malha de transporte e GNL (Gás Natural Liquefeito) são uma oportunidade de negócio para a Eneva, frisa o executivo.
“Hoje, no país, se você quiser colocar um projeto com demanda de 200 MW [megawatts] na tomada, isso não é possível de um dia para o outro. E aí entra o gás natural. Assim é possível começar o data center e, tão logo tenha, a posteriori, a conexão no grid, é possível complementar e modular a geração renovável com a geração a gás ou com diesel e sistemas de baterias”, afirmou durante evento da FGV Energia, no Rio de Janeiro.
“No fim do dia, soluções a gás podem ser muito competitivas, ajudando data centers a arracancarem no prazo necessário, atraindo esses projetos para o país”, continua.
Escassez de equipamentos x oportunidade
Como gargalo para esse movimento, o executivo destaca o “mercado curto” de equipamentos como turbinas para projetos como esse. No entanto, diz que o horizonte de queda potencial no preço da molécula de gás pode viabilizar projetos voltados a data centers.
“Há uma grande oportunidade, com [o programa] Gas Release, de termos maior oferta de gás e preços mais competitivos para a molécula no país, o que vai permitir, junto a outras fontes, cada uma com seu atributo, atrair grandes empreendimentos a custo igualmente competitivos, enquanto você destrava questões de conexão ou de telecom onde elas existem”, continua Calado.
Segundo ele, na indústria de data centers, cada projeto pode ter seu modelo de geração, o que pressupõe um mix de moléculas e contratos customizado.
Preocupação dos clientes
Segundo o diretor da Eneva, em conversas da companhia com potenciais clientes, a primeira preocupação que surge na mesa é a existência de suprimento firme de gás no país. “Isso a gente tem e consegue garantir”, afirma.
Em seguida, ele cita a preocupação com a segurança jurídica dos dados a serem reunidos na unidade. “Há sim uma preocupação cada vez mais frequente com como os dados serão tratados em projetos com custo médio US$ 10 bilhões.” E, por último, diz, surge a preocupação com preço.





