Eólicas offshore poderiam avançar com contratação no mercado cativo, diz Tolmasquim

Roberto Rockmann*

A entrada das eólicas offshore na matriz elétrica brasileira poderia avançar com uma regulação que leiloasse a cessão da área do projeto junto com um contrato de longo prazo, ancorado no mercado cativo, de até 30 anos. Uma ideia poderia ser a contratação via leilão de reserva, avalia o diretor de Transição Energética da Petrobras, Mauricio Tolmasquim.

“Isso poderia ser uma receita de sucesso, não é um ponto de partida absurdo. Atrairia uma enxurrada de investidores para o Brasil, e o impacto para a tarifa seria muito pequeno diante dos impactos positivos. Hoje se fala em sobreoferta, mas em 2028 o país crescerá”, disse Tolmasquim a jornalistas no Brazil Windpower na última quarta-feira (13).

Ele disse que projetos em hidrogênio verde também poderão demandar muita energia. A Petrobras anunciou, também nesta quarta, que chegou a 23 GW de projetos protocolados no Ibama de eólicas offshore. 

Tolmasquim disse que um contrato de negociação energia no longo prazo — como feito nos projetos estruturantes de hidrelétricas nos anos 2000, quando essas usinas tinham preços definidos por 30 anos, ancorados no mercado cativo — poderia deslanchar a tecnologia. 

Questionado se a saída seria um leilão de reserva, disse que o certame poderia trazer concorrência. “Pode ter competição com muitos concorrentes, e isso reduz a incerteza do financiamento porque se ganha previsibilidade do fluxo de caixa”, disse. 

A Petrobras ainda não fez avaliação econômico-financeira de viabilidade dos 23 GW em projetos. Iniciará até o fim do mês uma campanha de medição de ventos em projetos na costa do Nordeste. A empresa ainda está à espera da regulação de eólicas offshore, em discussão no Congresso. 

O presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, também presente ao evento, disse que os critérios de licitação das eólicas offshore deveriam incluir pagamento pela área a ser concedida para o projeto e uma disputa pelo preço da energia a ser ofertada.

Além da falta de regulação, um obstáculo do setor para destravar os projetos no alto mar é o financiamento. A tecnologia é mais cara que as eólicas em terra e o Brasil nunca fez um projeto na área. Soma-se isso ao fato de que hoje o país vive uma sobreoferta de energia e não tem realizado leilões de contratação para o mercado regulado. Em 2009, as eólicas em terra tiveram um leilão reserva, ancorado no mercado cativo, dedicado a elas, o que marcou o início do avanço da fonte.

*Roberto Rockmann é escritor e jornalista. Coautor do livro “Curto-Circuito, quando o Brasil quase ficou às escuras” e produtor do podcast quinzenal “Giro Energia” sobre o setor elétrico. Organizou em 2018 o livro de 20 anos do mercado livre de energia elétrica, editado pela CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), além de vários outros livros e trabalhos premiados.

As opiniões dos autores não refletem necessariamente o pensamento da Agência iNFRA, sendo de total responsabilidade do autor as informações, juízos de valor e conceitos descritos no texto.

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