Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A petroleira norueguesa Equinor informou nesta quinta-feira (6) ter concluído o trecho de 186 quilômetros do gasoduto de escoamento do projeto Raia, de produção de gás do pré-sal da Bacia de Campos, litoral do Rio de Janeiro. Além disso, a empresa comunicou ao mercado a conclusão do primeiro poço produtor do projeto, o PDA-P14.
Raia está orçado em US$ 9 bilhões, investimento em andamento da operadora Equinor, que tem 35% do negócio, e suas sócias Repsol Sinopec (35%) e Petrobras (30%).
Gasoduto
A infraestrutura completa tem pouco mais de 200 quilômetros, a maior parte sob a água e já preparada, e outros quatro quilômetros em terra. A estrutura vai conectar o navio-plataforma (FPSO) instalado no pré-sal à malha de transporte de gás, no Terminal de Cabiúnas, em Macaé (RJ).
Ainda resta avançar no trecho terrestre e conectar a seção de águas rasas – com cerca de 15 quilômetros entregues em setembro de 2025 — ao trecho maior em águas ultraprofundas.
Para tanto, a empresa já conta com balsa elevatória Saturn, um “jack up barge”, na região de Macaé. O aparelho auxilia na instalação do gasoduto com a chamada “atividade de perfuração horizontal direcionada” (HDD), método usado para instalar tubulações e cabos no subsolo.
“A chegada da Saturn marca o início de uma nova fase da campanha, incluindo as operações de furo piloto, alargamento do furo e puxada do tubo, que antecedem a instalação definitiva da infraestrutura”, diz a Equinor.
Especificamente para a etapa em águas ultraprofundas do gasoduto, destacou a empresa em nota, foram utilizados tubos produzidos pela Tenaris, com 99% de aço nacional.
“Em sua maior profundidade, o duto alcança 2.735 metros abaixo da superfície, tornando-se o gasoduto mais profundo do mundo”, anota a empresa.
Calendário e projeções
A entrega indica que o cronograma, com previsão de primeiro óleo em 2028, está sendo observado.
No auge, o projeto terá, segundo a Equinor, capacidade de enviar 16 milhões de MSm³/d (metros cúbicos de gás padrão por dia) ao mercado brasileiro, o que pode representar até 15% da demanda nacional. As reservas recuperáveis de óleo/condensado são superiores a 1 bilhão de boe (barris de óleo equivalente).
Todo esse gás produzido em alto mar será tratado e processado dentro do FPSO e entregue diretamente à malha de transporte, sem a necessidade de uma planta de processamento em terra, desenho inédito na história da indústria brasileira.





