Esalq vai estudar nova logística com supernavios para transporte de grãos no Arco Norte


Dimmi Amora, da Agência iNFRA

O Esalq-Log (Grupo de Pesquisa em Extensão em Logística) da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz, da USP, iniciou estudos para avaliar uma nova logística para o transporte internacional de grãos que chegam aos terminais portuários do Arco Norte, utilizando os supernavios capesize.

O trabalho está sendo realizado por causa da previsão de crescimento do volume de cargas que podem chegar aos portos da região, especialmente com a ampliação prevista do sistema ferroviário.

De acordo com Thiago Pêra, coordenador técnico do Esalq-Log, num estudo prévio, com dados de 2017, foi possível identificar que somente com a troca dos navios Panamax, que hoje são utilizados para transportar do Arco Norte para a China, com capacidade para 60 a 70 mil toneladas, para embarcações tipo capesize, com capacidade para até 150 mil toneladas, seria possível uma redução de custo de 14%, considerando toda a logística, desde o campo.

Hoje o custo logístico para os produtores no Brasil ainda é considerado alto, especialmente no Mato Grosso, principal produtor. De acordo com Pêra, no caso da soja, o custo varia entre 25% e 30% do preço do produto, podendo chegar a 40% para algumas regiões.

“É um impacto alto, principalmente quando o preço da commodity baixa no mercado internacional. Como temos pouca armazenagem, o transporte tem grande impacto”, afirmou.

Barreiras
A análise vai se concentrar em indicar o quanto a ampliação do uso de navios maiores pode reduzir os custos e também onde isso pode ser feito. Isso porque há barreiras para se usar esse tipo de navio, que são os calados dos terminais e berços.

“A dificuldade de usar o capesize é a profundidade no canal de acesso a terminais e portuários. A média é de 13 metros de calado e, nos de maior porte, usando a capacidade cheia [do navio], o calado tem que ir para mais de 15 metros, alguns até 18 metros”, explicou o coordenador.  

A ideia é identificar quais terminais teriam a capacidade de receber esses navios e também se teriam como receber expansões para as cargas do agronegócio. 

Atualmente os navios se utilizam do transporte via barcaça até os terminais portuários da região de Vila do Conde (PA). Outra parte é exportada pelos terminais de São Luís (MA). Há planos para ampliações nas duas áreas e também para a construção de um terminal privado em Alcântara (MA), também com capacidade para receber os capesize.

Canal do Panamá
Segundo Pêra, o estudo deve ficar pronto ainda neste ano. Ele também vai analisar um outro aspecto que é o caminho que seja mais econômico para chegar à Ásia com as mercadorias que saem do Arco Norte, se pelo Cabo da Boa Esperança (África) ou pelo Canal do Panamá (América do Norte).

De acordo com Pêra, é possível utilizar navios super-Panamax, um pouco maiores que os atuais, e também ter vantagens competitivas para o transporte das mercadorias. O problema é o pedágio cobrado para atravessar o canal.

“A passagem não era atrativa. Tirava a competitividade. É preciso ter boas negociações com eles para conseguir reduzir os preços e tornar competitivo. Isso pode ser fomentado”, disse Pêra.

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