da Agência iNFRA
O avanço tecnológico, a busca por eficiência operacional e a transição energética devem moldar os próximos anos da indústria de petróleo e gás no Brasil e no mundo, segundo o estudo global 2026 Oil & Gas Outlook, da Deloitte. O levantamento aponta que empresas do setor têm priorizado investimentos em IA (inteligência artificial) e GenAI (inteligência artificial generativa), com foco em aplicações práticas capazes de elevar a produtividade, reduzir custos e melhorar o desempenho dos ativos.
De acordo com o anuário da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), o Brasil encerrou 2024 com reservas totais de 29,2 bilhões de barris de petróleo, alta de 6% em relação ao ano anterior. A produção, no entanto, recuou 1%, para 3,4 milhões de barris por dia. Já as reservas de gás natural cresceram 5,1%, somando 740,5 bilhões de metros cúbicos.
Nesse cenário de margens mais pressionadas, a digitalização tem sido vista como ferramenta central para ganho de eficiência. Segundo a Deloitte, a adoção de manutenção preditiva com sensores, drones, robótica e análise de dados em tempo real já permitiu a empresas reduzir em até 40% as falhas de equipamentos e economizar cerca de US$ 10 milhões por ano.
O estudo avalia que, no Brasil, os investimentos em IA ainda ocorrem de forma dispersa, empresa a empresa, diferentemente de países como os Estados Unidos, onde há estratégias coordenadas e em escala. Para a consultoria, políticas públicas e incentivos podem acelerar a adoção dessas tecnologias no país.
Além da modernização operacional, o relatório destaca o avanço dos combustíveis de baixo carbono como eixo estratégico para a resiliência do setor. A aprovação da Lei do Combustível do Futuro criou incentivos para ampliar o uso de biometano, etanol, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF), reduzindo a dependência de fontes fósseis.
Os reflexos já aparecem nos números: a produção de biodiesel cresceu 20,4% em 2024, enquanto a de etanol avançou 4,2%, atingindo 37 bilhões de litros, segundo a ANP. Para a Deloitte, a combinação entre capacidade agrícola, base industrial e arcabouço regulatório coloca o Brasil em posição favorável para liderar a transição energética.
Na avaliação da consultoria, o equilíbrio entre inovação tecnológica, eficiência operacional e expansão de energias renováveis será decisivo para manter a competitividade do setor brasileiro diante de um ambiente internacional mais volátil e de menor crescimento da produção.





