Importadoras devem compensar só parte da demanda extra de combustível em novembro, diz associação

 Ludmylla Rocha, da Agência iNFRA

O presidente-executivo da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araújo, disse à Agência iNFRA que as importadoras conseguirão absorver só parte do mercado que a Petrobras deixará de atender em novembro com o volume que têm armazenado.

Ele afirmou que esse volume está baixo, “porque as defasagens [de preços] estão elevadas há várias semanas”. A associação calcula defasagem média de 14% no valor da gasolina e 17% do diesel frente ao preço desses combustíveis no mercado internacional. “Com isso, as importações estão inviabilizadas”, disse.

Com os preços mais baixos no mercado doméstico dominado pela Petrobras, o combustível importado por empresas independentes não consegue competir com o produto distribuído pela estatal. Araújo afirma que, para atender à demanda, a Petrobras deveria avisar às empresas importadoras com antecedência os volumes que serão ofertados nas refinarias para que estas programem suas compras.

Dados do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás) apontam que 26% do diesel e 8% da gasolina foram adquiridos no mercado externo de janeiro a agosto de 2021, mas a estatal é a grande compradora.

Petrobras: “Demanda atípica”
A Petrobras admitiu, em comunicado ao mercado, que pode não atender toda a demanda de combustíveis solicitada para o próximo mês. No texto, a petroleira afirma que “recebeu pedidos muito acima dos meses anteriores e de sua capacidade de produção”.

A empresa de petróleo argumenta ainda que “apenas com muita antecedência” poderia se programar para atender o que chama de “demanda atípica”. “Na comparação com novembro de 2019, a demanda dos distribuidores por diesel aumentou 20% e a por gasolina 10%, representando mais de 100% do mercado brasileiro”, diz.

Risco de desabastecimento
O risco de desabastecimento foi anunciado no último dia 14 pela Brasilcom (Associação das Distribuidoras de Combustíveis). Em nota, a associação afirmou que a estatal de petróleo comunicou uma série de distribuidoras sobre cortes unilaterais nos pedidos de gasolina e óleo diesel para o próximo mês.

“As reduções promovidas pela Petrobras, em alguns casos chegando a mais de 50% do volume solicitado para compra, colocam o país em situação de potencial desabastecimento”, afirmou. Na ocasião, a Petrobras se limitou a dizer que estava cumprindo todos os contratos firmados.

Questionada sobre a nova nota da petroleira, a Brasilcom afirmou que “mesmo que a Petrobras não consiga, segundo seu comunicado, atender a todos os pedidos feitos pelas distribuidoras, sempre permanece a possibilidade de importação, quer pela própria Petrobras quer pelas distribuidoras, de modo a suprir o que parece ser a deficiência por incapacidade de produção, face ao alegado aumento da demanda versus a estimativa da empresa”. 

A associação disse, porém, que a ação teria como consequência “o efeito nos preços dos combustíveis”. “Quanto à versão da Petrobras de que os pedidos feitos foram acima das médias anteriores, não podemos opinar, pois se trata de assunto exclusivo e confidencial entre clientes e fornecedor”, completou.

“Difícil explicar pela oferta”
É a avaliação do presidente da Inter.B Consultoria, Cláudio Frischtak. Ele aponta que a demanda por combustíveis está conectada com o desempenho da economia, que, apesar de ter feito um movimento de recuperação com a pandemia, “está começando a definhar”. Ele estima que o trimestre que terminou se encerre com crescimento de cerca de 0,2% no PIB (Produto Interno Bruto). Para o último do ano, deve ser de zero ou até “levemente negativo”.

“O consumo de combustível normalmente segue de perto o crescimento da economia. O diesel também segue o crescimento do agronegócio, que é uma coisa mais específica. Mas, de qualquer maneira, a essa altura – já se aproximando do final do ano –, o determinante é o crescimento da economia, que não está bombando”, explicou.

O economista, que já atuou na área de indústria e energia do Banco Mundial, aponta que a restrição da oferta “está fundamentalmente calcada na defasagem de preço”.

“Se o preço doméstico não acompanha o preço internacional, isso só se sustenta num regime de monopólio estatal ou subsidiado pelo estado”, pontuou.

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