Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
A INB (Indústrias Nucleares do Brasil) pretende fechar a primeira parceria com o setor privado ainda em 2026 para iniciar o desenvolvimento da cadeia de produção de urânio no país, informou Saulo Fernando, superintendente de novos negócios da companhia. A declaração foi dada nesta terça-feira (17) durante o “Encontro Pós-PDAC 2026”.
O superintendente contou que o presidente interino da INB, Tomás Albuquerque, tratou com muitos investidores sobre os projetos de urânio no Brasil durante o PDAC 2026, evento internacional de mineração, no Canadá.
“Ele voltou impressionado com a procura que teve por lá e botou como meta desafiadora para nós que, até este ano, a gente consiga realizar uma primeira parceria de grande porte com a INB”, afirmou Fernando.
O superintendente da INB – estatal que detém o monopólio da extração e da produção local de urânio – disse que os planos de fechar a parceria passam pelos cenários de confirmação ou não do decreto que regulamentará as contratações. A Lei 14.514/2022 permite acessar recursos e tecnologia no setor privado.
A minuta do decreto está em análise na Casa Civil. Internamente, a INB avalia que a publicação da norma será bem-vinda para melhor delimitar o modelo de contratação. Contudo, as mesmas pessoas defendem que a legislação posta permite avançar com as etapas de contratação.
“O Ministério [de Minas e Energia] está batendo isso com a Casa Civil. A INB deu alguns inputs para esse decreto e espera que, no futuro breve, ele venha a ser publicado e a gente possa atrair parceiros”, disse Fernando.
Investidores
Durante o debate no evento, o advogado Adriano Trindade, do escritório Mattos Filho Advogados, disse que os “possíveis investidores em urânio” têm feito consultas frequentes sobre oportunidades aqui no país. “Definitivamente, o Brasil está no radar”, comentou.
Trindade afirmou, contudo, que enxerga esse forte interesse com “certa parcimônia”. “O Brasil tem atraído a atenção como tantos outros países que têm recursos minerais relevantes. Acho que tudo depende da forma como o país vai ser capaz de responder a essa atenção”, disse.






