iNFRADebate: Um impulso para a infraestrutura brasileira

Tatiana Gruenbaum* e Ricardo Marques**

O Brasil enfrentou altos e baixos no cenário econômico nas últimas décadas, com momentos de crescimento acelerado seguidos por recessões. Entretanto, 2019 marcou o início de um esforço dos setores públicos e privados da realização de investimentos em infraestrutura.

De acordo com o Banco Mundial, economias de nações emergentes em rápido crescimento costumam dedicar entre 5% e 7% do PIB (Produto Interno Bruto) nesse setor, mas o Brasil tem ficado abaixo desse padrão. Um estudo recente da ABDIB (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base) apontou que o país tem investido, anualmente, cerca de 1,5% a 2% do PIB, o que equivale a, aproximadamente, R$ 150 bilhões.

O cenário deste ano mostra um governo focado em atrair investidores estrangeiros para empreendimentos de infraestrutura no Brasil. O lançamento do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), em agosto, demonstra essa vontade governamental em investir nessa área, reintroduzindo projetos antigos e trazendo outros novos, todos com foco na retomada do desenvolvimento.

Em um comparativo de 21 anos, o aço chinês, que representava apenas 1,4% (equivalente a 12 mil toneladas) das importações dessa commodity, disparou para 42% em 2021, totalizando cerca de 2 milhões de toneladas. Hoje, o território brasileiro está com 71% de utilização da capacidade instalada, segundo dados da Aço Brasil, de 2022.

Então, se os investimentos forem bem-sucedidos, a indústria brasileira desse produto estará pronta para atender às demandas e, ao mesmo tempo, contribuir com a descarbonização e a expansão sustentável da economia.

Um dos vários setores que se beneficiam desses esforços é o siderúrgico. O Novo PAC e a retomada do programa Minha Casa, Minha Vida — inseridos no eixo de Cidades Sustentáveis e Resilientes — devem impulsionar a demanda por insumos, como aços longos, vigas e vergalhões. Por exemplo, a área de construção civil utiliza produtos siderúrgicos em 40% do consumo, usando principalmente o aço longo. Da mesma forma, a indústria automotiva e o setor de bens de capital, que dependem de aço plano, representam significativas parcelas de 20% cada no consumo total de produtos siderúrgicos.

Apesar disso, a demanda mencionada não deverá ocorrer em grande escala, visto que as construções das unidades dessa iniciativa são modulares, de forma que as construtoras tentam executar projetos mais econômicos.

O transporte ferroviário também está em destaque no Novo PAC. A recente proposta de isenção total do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para investimentos neste modal faz parte do plano nacional de desenvolvimento ferroviário, que é gerenciado pelo governo federal.

O objetivo é incentivar e fortalecer a expansão da infraestrutura com novas construções de estradas de ferro e terminais pelo país. Os investimentos anunciados incluem estudos para novas concessões e projetos, o que promete aquecer o setor siderúrgico, uma vez que a produção de materiais e insumos ferroviários, como trilhos e vagões, será impulsionada.

Além disso, a transferência de parte da logística de transporte de cargas rodoviárias para as ferrovias não só reduzirá significativamente os custos logísticos, mas também estará alinhada com os objetivos de meio ambiente, social e governança relacionados à descarbonização.

Dessa forma, o setor siderúrgico se beneficia da ênfase dada ao eixo de transporte, um dos que irá receber um dos maiores investimentos do Novo PAC. Apesar dos indícios muito positivos, entendo que ainda é necessário aguardar para observar as ações efetivas decorrentes desses ganhos. Portanto, a alocação significativa de recursos nos eixos de Cidades Sustentáveis e Resilientes, Transporte e Transição e Segurança Energética no Novo PAC cria um ambiente propício para o crescimento e desenvolvimento do setor de infraestrutura brasileiro.

*Tatiana Gruenbaum é sócia-diretora líder do segmento de infraestrutura da KPMG no Brasil.
**Ricardo Marques é sócio líder de mineração da KPMG no Brasil.
As opiniões dos autores não refletem necessariamente o pensamento da Agência iNFRA, sendo de total responsabilidade do autor as informações, juízos de valor e conceitos descritos no texto.

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