10/02/2026 | 16h21  •  Atualização: 10/02/2026 | 18h18

Movimentação de cargas no setor aquaviário cresce 6,1% em 2025

Foto: Domínio Público

Marília Sena, da Agência iNFRA

O setor aquaviário brasileiro apresentou aumento de 6,1% na movimentação de cargas em 2025, na comparação com os dados de 2024. De acordo com o desempenho aquaviário divulgado pela ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), nesta terça-feira (10), na sede da autarquia, foram movimentadas 1,4 bilhão de toneladas de cargas no último ano, frente a 1,32 bilhão em 2024.

Segundo o diretor-geral da autarquia, Frederico Dias, os números refletem um recorde na série histórica iniciada em 2010 e portanto não são apenas um “bom momento pontual”, e sim uma trajetória de crescimento do setor. “Isso reflete bem a parceria entre o público e o privado, da característica de nosso setor de ser eminentemente privado”, disse.

Em contêineres, foram movimentadas 164,6 milhões de toneladas, crescimento de 7,2% na comparação com o mesmo período de 2024. Em TEUs, a movimentação chegou a 15,3 milhões, com alta de 10,2%. Desse total, 10,4 milhões foram registrados no longo curso e 4,8 milhões na cabotagem.

Num histórico mais longo, a movimentação de contêineres aumentou 125% em 15 anos. Em 2010, o volume era de 6,8 milhões de TEUs. No mesmo período, os TUPs (Terminais de Uso Privado) ampliaram sua participação de 15% para 35% da movimentação de contêineres, enquanto os portos organizados reduziram sua fatia de 85% para 65%.

A expectativa da ANTAQ é alcançar, em 2030, a movimentação de 18 milhões de TEUs. Para isso, o governo prevê o arrendamento da área do Porto de São Sebastião (SP) e o leilão do Tecon Santos 10, megaterminal de contêineres previsto para o Porto de Santos. Ambos os certames devem ser realizados ainda neste ano. Dias também destacou a previsão dos certames para o Porto de Itajaí (SC) e de um terminal no Porto de Fortaleza (CE).

“Dos 70 leilões que realizamos, nenhum deles era dedicado a contêineres. Nos últimos dez anos não fizemos nem um leilão dedicado a contêineres. Fico muito feliz de ter previsão de quatro leilões de contêineres, que, em termos de capacidade, somados, vão representar aumento no longo prazo na ordem de 6,5 milhões de TEUs”, afirmou o diretor-geral.

Dias também destacou que “parte fundamental” do crescimento do setor se deu à crescente participação dos TUPs na movimentação de contêineres. “Esses números de qualquer forma demonstram a resiliência e a capacidade do setor privado de responder a um ambiente sadio”, afirmou, ponderando que o aumento da produtividade e eficiência “tem limites”, sendo, portanto, necessário que o poder público aumente a capacidade da infraestrutura e sua disponibilidade para os transportadores.

“É fundamental que o estado crie as condições e possa responder a esse desafio que o setor privado está nos demandando. Os portos não podem ser o gargalo do crescimento do país”, disse.

Cargas
Segundo o Estatístico Aquaviário, o produto campeão nas exportações foi o minério de ferro. No ano, foram movimentadas 425,8 milhões de toneladas. A soja também se destacou, com 139,7 milhões de toneladas movimentadas, registrando crescimento de 14% em relação a 2024.

Segundo a ANTAQ, em relação à carga geral solta, a movimentação atingiu 65,8 milhões de toneladas, um crescimento de 0,8%. Os granéis sólidos movimentaram 839,7 milhões de toneladas de cargas (alta de 6,3%) e os granéis líquidos chegaram a 333 milhões de toneladas de cargas – crescimento de 6,1% na comparação com 2024.

Já a movimentação de cargas de longo curso foi de 1,01 bilhão de toneladas no ano de 2025, avanço de 6%. A cabotagem alcançou uma movimentação de 303,7 milhões de toneladas, alta de 3,4%, enquanto que a navegação interior chegou a 91,3 milhões de toneladas – crescimento de 19,7% ante 2024.

Evolução
Presente no evento, o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Bruno Dantas parabenizou a autarquia pela evolução do setor. Para ele, é significativamente mais fácil auditar uma autarquia que possui governança sólida, ao contrário de órgãos “opacos”, cuja fiscalização exige atuação mais rigorosa. Dantas lembrou que, em um passado não muito distante, o TCU precisou realizar intervenções mais incisivas na agência, cenário que, segundo ele, foi superado.

O deputado Leônidas Cristino (PDT-CE), ex-ministro de Portos, também elogiou o desenvolvimento da autarquia e afirmou que a evolução apresentada no Estatístico Aquaviário decorre da legislação vigente do setor, a Lei 12.815/2013.

Ele mencionou a articulação no Congresso Nacional para a alteração do texto, por meio do PL (Projeto de Lei) 733/2025, que tramita em comissão especial na Câmara dos Deputados e visa revogar a legislação atual. O deputado defendeu que a lei não está obsoleta e deve ser mantida para garantir a continuidade da evolução do setor.

Saída na diretoria
O evento também marcou a despedida da diretora Flávia Takafashi, que encerra seu mandato no próximo dia 18. Flávia foi a primeira mulher indicada para ocupar uma cadeira na diretoria da ANTAQ.

“Eu me despeço com gratidão do cargo de diretora da ANTAQ, agência que tanto representa para o Brasil e para a economia do país. O setor portuário e aquaviário é um vetor de competitividade, integração e soberania, capaz de conectar o Brasil ao mundo e gerar desenvolvimento econômico e social em escala nacional”, afirmou Takafashi.

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