Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
A restrição à produção de minério de ferro em áreas com cavidades naturais, do tipo caverna, é considerada o “principal desafio” da Vale nas operações em Carajás, no Pará, afirmou nesta sexta-feira (30) o presidente da mineradora, Gustavo Pimenta, durante teleconferência com analistas. Atualmente, a companhia aguarda a publicação de decreto que atualiza a classificação das cavernas conforme seu grau de relevância ambiental, histórica e turística.
“Continuamos esperançosos de que isso aconteça [a regulamentação]. Isso não é benéfico apenas para a mineração, para a Vale, mas para todos os investimentos em infraestrutura no Brasil”, destacou Pimenta. Segundo ele, a empresa segue monitorando “de perto” essa discussão, considerada importante por oferecer alternativas de aumento da produção.
Impacto
No terceiro trimestre, a produção no Sistema Norte, em Carajás, caiu 6,9 Mt (milhões de toneladas) em relação ao mesmo período do ano anterior, totalizando 42,8 Mt entre julho e setembro de 2026. A redução está relacionada principalmente à menor produção na mina Serra Norte, que registrou queda de 7,7 Mt (-31%) na mesma base de comparação.
Entre julho e setembro de 2026, a Vale produziu o total de 88,4 Mt. Houve queda de 6% em relação ao mesmo trimestre do ano passado, quando registrou a produção de 94,4 Mt.
Zona de exclusão
De acordo com o balanço trimestral, áreas minerárias de Serra Norte estão sendo afetadas por “zonas de exclusão” relacionadas à presença de cavernas. O decreto preparado pelo governo Lula prevê liberar a exploração de áreas em caso de cavernas de baixa relevância ou mediante compensação.





