Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A diretora de engenharia, tecnologia e inovação da Petrobras, Renata Baruzzi, afirmou nesta terça-feira (4) que vai se reunir com a SBM Offshore, a empresa contratada para construir os dois navios-plataforma do projeto SEAP (Sergipe Águas Profundas), na próxima sexta-feira (8). O objetivo é detalhar o conteúdo local do empreendimento e cobrar o cumprimento dos percentuais previstos em contrato.
Os contratos, lembrou Baruzzi, estão assinados e em execução, mas as partes ainda discutem o que vai, de fato, ser construído no Brasil. Ela falou no seminário Agrega +Indústria, organizado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), no Rio de Janeiro.
“Eu vou conversar com a SBM na sexta-feira. Quando eles foram habilitados, eles comprovaram que iam fazer o conteúdo local que o contrato requer. Tem um em que o conteúdo local é 40% [P-81 ou SEAP I] e outro que é 33% [P-87 ou SEAP II]. O que nós vamos conversar é: você foi habilitado por conta disso, então agora cumpra. Só isso”, disse a diretora da Petrobras.
Baruzzi afirmou que é possível alcançar esses percentuais de conteúdo local. “Dá para fazer. Os módulos [das plataformas] podem ser feitos aqui. Não é preciso fazer o casco aqui”, disse. Questionada sobre o casco dos navios, a diretora disse ainda não ter tratado disso com a SBM, mas acreditar que esta etapa do projeto já teria sido contratada junto a estaleiro chinês.
Os contratos entre as partes foram assinados em maio de 2026 em valores superiores a US$ 7,8 bilhões, sendo US$ 4,00 bilhões para a unidade SEAP I e US$ 3,79 bilhões para a unidade SEAP II, que, apesar da numeração, será a primeira a ser entregue pela SBM, em 2030. Após a entrega, as unidades, com capacidade de produção de 120 mil barris por dia cada uma, serão operadas pela SBM por seis anos e meio antes de passarem inteiramente para a Petrobras.
Flexibilidade
Segundo fontes ouvidas pela Agência iNFRA, embora a Petrobras tenha estipulado em contrato aqueles percentuais de conteúdo local (40% e 33%) para o somatório de sistemas de coleta, escoamento e serviços associados, o mínimo para incidência de multas em caso de violação seria ainda menor, de 25% e 18%. A prioridade, dizem interlocutores, é cumprir os prazos de entrega dos equipamentos, cujos descumprimentos também geram penalidades.
Margem Equatorial
Sobre o poço exploratório de Morpho, que a Petrobras perfura na Bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial brasileira, Baruzzi disse que o trabalho “está caminhando”.
“Esperamos que [a perfuração] seja concluída ainda este mês. Ainda não tocou o reservatório. Faltam uns 500 metros, mais ou menos. Por enquanto só rocha e água, mas a expectativa é boa”, disse.
“É uma nova área, uma geologia diferente, em que a gente está encontrando algumas surpresas. Então a gente está indo com muito cuidado. Às vezes uma região em que não era para ter água, a gente encontra água. Uma região que era para ter uma pressão menor, tem uma pressão maior. São questões geológicas mesmo”, continuou a diretora da Petrobras.
Após tocar o reservatório, disse a diretora, a Petrobras ainda levará algum tempo para determinar o potencial da área. “Depois de concluída a perfuração, ainda vamos ter de fazer várias perfilagens, vários estudos para ver qual é a capacidade. Então, assim, não vai ser no mesmo dia que a gente vai dizer qual é a capacidade”, explicou.





