Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
Em meio aos rumores sobre retorno à distribuição de combustíveis, após aval de seu Conselho de Administração nesse sentido, executivos da Petrobras indicaram nesta sexta-feira (8) que, no caso dos combustíveis líquidos, como diesel e gasolina, a empresa vai se limitar à estratégia de ampliar a venda direta para grandes consumidores, sobretudo no agronegócio do Centro-Oeste e Matopiba (Maranhão, Tocantins e Bahia). Segundo o diretor de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Claudio Schlosser, a empresa também busca mais parcerias com grandes empresas, como a Vale e o grupo J&F.
Na prática, significa que a atual gestão, de Magda Chambriard, descarta, ao menos por ora, esforços para voltar ao fornecimento direto do consumidor comum, com distribuição e revenda em postos de abastecimento. De fato, o comunicado ao mercado, de quinta-feira (7), sobre o tema só destaca como diretriz uma eventual volta à distribuição de GLP, o gás de cozinha.
Essa posição fica clara em respostas do diretor Schlosser quando questionado sobre o assunto em entrevista à imprensa sobre os resultados financeiros do segundo trimestre. Ele diz que os objetivos, quando se menciona distribuição, são ampliar mercado e se aproximar mais do cliente, mas, quando cita especificamente o diesel, se limita aos chamados grandes consumidores, conforme definição da ANP e delimitado àqueles que têm capacidade de armazenamento de 15 mil m³.
“Estamos atentos, buscando levar o nosso produto para os locais onde tem consumo. E o Centro-Oeste é onde houve o aumento mais significativo do mercado brasileiro. Estamos querendo oferecer para o agronegócio, e vemos também no Matopiba, uma oportunidade para vender mais a grandes consumidores. Também estamos estamos buscando mais parcerias com empresas como Vale e J&F”, disse Schlosser.
Em um segundo momento, ao detalhar essa atuação, Schlosser disse que a companhia observa as definições de grandes consumidores da ANP. “Não podemos oferecer é para pequenos consumidores”, disse.
“Estamos olhando para o agro de forma bem ampla. Todos estes que são grande consumidores se enquadram. Mas temos fazendas pujantes também, com infraestruturas que são muito interessantes. O número de clientes que temos vislumbrado é bastante grande e diverso”, continuou o diretor.
Neste ponto, o executivo, lembrou que o interesse em vender mais para clientes do agronegócio não visa apenas aumento de receita, mas também na aquisição de matérias-primas produzidas por esses clientes, como óleo vegetal, que poderá ser usado na fabricação de diesel coprocessado (fóssil + vegetal) da estatal, no que citou sinergias ligadas à frete de retorno, isto é, a chance de a Petrobras levar combustível até esses clientes e utilizar a infraestrutura de transporte para trazer produtos vegetais as suas refinarias.
Pelos termos do contrato de venda da antiga BR Distribuidora, em tese, a Petrobras não pode retornar ao varejo de combustível. O mesmo não acontece no GLP, já que não havia trava do tipo prevista no contrato de venda da antiga Liquigás.





