Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, descartou um aumento imediato nos preços da gasolina e do diesel em meio às incertezas da guerra no Oriente Médio, mas disse que a política de preços de derivados da estatal será respeitada. Ela falou nesta sexta-feira (6) em teleconferência com analistas sobre os resultados do quarto trimestre de 2025.
Segundo a executiva, essa política, que valeu quando a cotação do petróleo caiu em 2025, levando a quedas no diesel e na gasolina, também valerá agora, momento em que o Brent dispara. No início da tarde desta sexta-feira (6), o Brent já ultrapassa os US$ 90 por barril. Mas garantiu que a companhia não repassará rapidamente a volatilidade externa para o mercado doméstico.
Com isso, Magda indica que a Petrobras poderá sim reajustar seus combustíveis, mas desde que os patamares do Brent fiquem elevados por mais tempo e essa seja a tendência para os próximos meses.
“Essa pergunta [se é pico de preços ou movimento mais duradouro] ainda não está respondida, mas, se essa volatilidade for tão grande assim, certamente ela vai exigir respostas mais rápidas que exigiriam se fosse [uma escalada] mais lenta. Mas, neste momento, a gente não tem certeza”, disse Magda.
“Nossa política interna persiste íntegra e sólida. Observamos as paridades internacionais de preço de petróleo e derivados, mas não vamos repassar volatilidades para o mercado interno brasileiro. Temos repetido isso inúmeras vezes. Recebo perguntas como essa: isso valeu quando [o Brent] caiu, mas vai valer quando aumentar, e aumentar tão vertiginosamente? E a resposta é sim, vale a mesma coisa. Não temos política interna de preços variando, nenhuma discussão em contrário na diretoria colegiada”, continuou a presidente da Petrobras.
Política de preços
Para definir seus preços, a Petrobras observa preços de paridade de importação, o comportamento do câmbio e as condições de manutenção e expansão do seu market share, ou seja, a concorrência com empresas nacionais no território. Com base nesses dados, mantidos em sigilo, a companhia forma os preços praticados em suas refinarias, que deve respeitar uma banda de preços cuja base é seu preço de custo e o teto é o preço alternativo do cliente, ou seja, o preço da concorrência. Qualquer alteração é votada por uma sessão da diretoria executiva formada pela presidente Magda, o diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser, e o diretor financeiro, Fernando Melgarejo.
Sem problemas
Questionado, Schlosser se limitou a dizer que a política de preços da estatal está sendo respeitada e foi criada justamente para momentos dessa natureza, de “volatilidade imensa”.
Segundo o diretor, com relação a derivados, a Petrobras “não está encontrando dificuldades para cumprir seu planejamento”, o que inclui a parcela importada. “Temos as importações, que estão conforme o planejamento. Diesel principalmente, porque na gasolina somos superavitários, a gente exporta. No GLP também tem importações planejadas, que estão dessa forma”, disse Schlosser, descartando qualquer dificuldade ligada à eclosão da guerra no Oriente Médio.
Margens maiores com exportação
Schlosser reconheceu que o mercado congelou nos últimos “dois ou três” dias em função da guerra, e que a Petrobras, assim como seus pares, parou de negociar as cargas de petróleo bruto que exporta. Mas afirmou que a expectativa é de “retorno líquido” positivo para a empresa, uma vez que seus principais compradores estão fora da rota do conflito.
“A foto do momento é que isso tem se refletido em net back positivo para a Petrobras, em margens melhores mesmo com essa questão [da alta] do frete. Eu acrescentaria que os mercados que a gente abastece estão fora da região do conflito, casos de Índia, China, Europa. Há, portanto, uma valorização desse posicionamento interessante para a companhia”.
Sobre o frete marítimo, que subiu em todo o mundo, Schlosser garante que a Petrobras segue igualmente bem posicionada, porque tem mais de 30% dos contratos firmados em longo prazo, enquanto a média para isso do restante do mercado não chega a 10%. “Estamos bem posicionados também com relação à alta do frete”, concluiu.







