13/07/2026 | 13h22  •  Atualização: 13/07/2026 | 17h31

Setor de biodiesel pede a Lula aumento da mistura no diesel para 17%

Foto: Agência Brasil

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

Após o MME (Ministério de Minas e Energia) ter adiado a elevação do teor de biodiesel no diesel e estabelecido um calendário de testes ao longo deste ano, o setor volta a insistir na medida em carta que será entregue na tarde desta segunda-feira (13) ao presidente Lula. A comitiva presidencial visitará o IMT (Instituto Mauá de Tecnologia), em São Paulo, onde são testadas misturas com até 25% de biocombustível e diesel fóssil.

Na carta, o setor menciona o momento de deterioração do cenário geopolítico, com a volta da guerra no Oriente Médio. “O contexto internacional reforça a urgência. Este é o momento de avançar para o B17”, dizem as entidades signatárias. O governo trabalha com a expectativa de elevar o mandato do biodiesel de 15% para 16%, mas o setor já fala na viabilidade de 17% de biodiesel na mistura.

O documento é assinado pelas quatro principais entidades do setor: Abiove (Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais); Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil); FPBio (Frente Parlamentar do Biodiesel no Congresso Nacional); e Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene).

“Em cenário internacional marcado pela volatilidade dos preços do petróleo, instabilidade geopolítica, os biocombustíveis brasileiros representam uma resposta concreta para ampliar a competitividade nacional, reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e fortalecer a economia do país”, escrevem na abertura da carta.

Do ponto de vista econômico, dizem as entidades em um terceiro trecho, o aumento da participação dos biocombustíveis reduz a “exposição” do Brasil às oscilações internacionais do mercado de petróleo, aumenta a segurança do abastecimento e cria um importante mecanismo de amortecimento para a volatilidade dos preços dos combustíveis.

A carta também reforça a inclinação “natural” do país ao biodiesel e as vantagens que essa produção traz para o mercado de carne, por induzir a maior produção e barateamento do farelo de soja – base da ração de animais de corte e resíduo do esmagamento do grão.

Testes
Ao contrário dos técnicos do MME, o setor considera que os testes do percentual já foram concluídos com sucesso. “Os resultados obtidos até o momento reforçam a robustez dessa iniciativa e oferecem ao país condições técnicas para prosseguir com a política pública prevista na Lei do Combustível do Futuro, iniciando um novo ciclo com a adoção da mistura B17”, escreve na carta.

As entidades apontam um programa de validação feito por 16 laboratórios e universidades espalhadas pelo país, envolvendo “testes em motores, veículos e máquinas agrícolas, que também contempla ensaios de durabilidade, desempenho, emissões, testes de campo e análises físico-químicas”.

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