Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
A Vale anunciou nesta quinta-feira (9) acordo para uso dos primeiros navios transoceânicos do mundo tendo o etanol como combustível principal. A mineradora informou que a primeira leva das novas embarcações, do tipo Guaibamax de segunda geração, será entregue a partir de 2029.
Os detalhes da contratação foram divulgados após a conclusão do acordo de afretamento firmado entre a mineradora e a Shandong Shipping Corporation. A companhia informa que o uso do biocombustível – no caso, o etanol de segunda geração – tem potencial de reduzir as emissões de carbono em cerca de 90% na navegação transoceânica, comparado com o uso de óleo combustível pesado.
O acordo tem duração de 25 anos e prevê a construção de dois navios, com com possibilidade de aquisição futura de mais embarcações. A Vale explicou que os Guaibamax de segunda geração são embarcações com 340 metros de comprimento e capacidade de 325 mil toneladas. Além da queima de etanol, os navios poderão utilizar metanol e óleo pesado, incluindo a eventual conversão para o uso de GNL (Gás Natural Liquefeito) ou de amônia.
Em nota, o diretor de navegação da Vale, Rodrigo Bermelho, afirmou que a estratégia da mineradora para a descarbonização no transporte marítimo combina a busca por flexibilidade e eficiência no uso de combustíveis alternativos. Para ele, a utilização do etanol, aliada à adoção de velas rotativas para aproveitamento da energia eólica em navios, coloca a companhia em “posição única” nas próximas décadas em iniciativas de redução das emissões de gases poluentes.
Velas rotativas
De acordo com a Vale, a segunda geração do Guaibamax também será equipada com cinco velas rotativas, que utilizam energia eólica para reduzir o consumo de combustível. Além disso, as novas embarcações contarão com “outras melhorias na eficiência energética”, como motores mais eficientes, dispositivos hidrodinâmicos, gerador de eixo, inversores de frequência e pintura de silicone.
A mineradora informou que as novas embarcações a etanol serão semelhantes aos dez navios bicombustíveis, com uso de metanol e óleo pesado, que serão entregues pela Shandong a partir de 2027. Ressaltou ainda que o conjunto de tecnologias embarcadas nos Guaibamax de segunda geração reduzirá em cerca de 15% as emissões de gases de efeito estufa em comparação com a geração atual.





