Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta terça-feira (28) que a maior plataforma da estatal em operação, o FPSO Almirante Tamandaré, chegou a bater a marca de 282 mil barris de petróleo produzidos em único dia e que a companhia hoje considera uma média de 270 mil bpd (barris por dia) à frente. Essa produção efetiva é 20% maior que a capacidade prevista para o navio plataforma instalado no campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos. O Almirante Tamandaré extrai petróleo de cinco poços na região.
“Estamos falando de uma plataforma que tinha capacidade de 225 mil bpd, que está passando para 270 mil bpd, sem novos investimentos. É uma conquista da Petrobras e dos seus fornecedores, em um momento onde a gente tem uma queda do preço de petróleo, e nós estamos enfrentando isso com muito esforço, trabalho e tecnologia, com muita resiliência”, disse Magda. Ela fez a afirmação a jornalistas, durante a OTC Brasil, maior conferência do setor, que acontece esta semana, no Rio de Janeiro.
A produção acima da capacidade inicialmente prevista foi revelada pela primeira vez em agosto, pela diretora de produção e exploração da companhia, Sylvia Anjos. Isso se deve às chamadas “folgas de projeto”, uma capacidade extra que o navio suporta produzir sem nenhuma intervenção física nas unidades, só ajustes de contrato com as empresas donas dos navios, como SBM Offshore e MODEC, e uma nova licença do Ibama para aumento da produção.
Segundo Magda, a produção dos seis navios produtores ativos em Búzios está se aproximando de 1 milhão bpd, mas deve chegar perto dos 2 milhões bpd com a chegada de outras cinco novas unidades em construção ou com contratação iniciada.
“Não vou prometer 2 milhões bpd. Mas vou dizer que esse número vai se aproximar de 2 milhões. Vamos ter de esperar essas plataformas que já estão sendo construídas, vamos ter que esperar a P-78 à plena carga, vamos ter que esperar a P-79, que já já está chegando, além da P-82, P-84 e P-85”, disse Magda.
Desafio da cotação
Em discurso na abertura do evento, Magda enfatizou a queda nos preços da commodity, definindo o cenário como “extremamente desafiador” para a indústria, o que vai exigir mais eficiência. Ela destacou que a Petrobras tem revisitado portfólio, priorizado projetos de maior retorno, indicando justamente foco maior no E&P (exploração e produção de petróleo) e gestão de contratos, “sempre priorizando resultado e redução de custos”.
O barril do petróleo do tipo Brent viu o preço despencar 15% em um ano para a casa dos US$ 64 atuais. Nesse contexto, um volume de produção acima do esperado ajuda a compensar a queda na receita ligada aos preços.
Essa queda no preço do petróleo, dizem fontes, deve reduzir a previsão total de investimento do próximo plano estratégico, para o quinquênio 2026-2030, que vai ser divulgado no próximo dia 27 de novembro, segundo Magda.
O último plano, para o período entre 2025 e 2029, previa um investimento total de US$ 111 bilhões, dos quais US$ 77 bilhões estavam reservados ao E&P. Nos bastidores, fala-se que tendência, agora, é de redução do capex total para mais perto dos US$ 100 bilhões, mas com a frente de E&P protegida, até em função de projetos em curso ou já contratados.







