14/01/2026 | 12h00  •  Atualização: 15/01/2026 | 10h52

Fazendas solares perderam atratividade, avaliam especialistas

Foto: Divulgação Tecpar

Lais Carregosa e Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA

As fazendas solares, usinas focadas em comercializar créditos de geração distribuída, perderam “viabilidade econômica” para atrair investidores, afirmam especialistas consultados pela Agência iNFRA. Desta forma, a expansão do segmento deve se dar por meio da “microgeração distribuída”, de menor escala e próxima do consumo.

O presidente da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída), Carlos Evangelista, explica que as fazendas solares, cuja faixa de capacidade se enquadra na “minigeração” (entre 75 quilowatts e 5 megawatts), se tornaram menos atrativas em um cenário de transição para o fim dos descontos nas tarifas de uso da rede elétrica.

Para a CEO da consultoria Bright Strategies, Bárbara Rubim, além da redução do desconto dado ao segmento, o cenário de inversão de fluxo – quando o excedente de energia gerado é devolvido à rede da concessionária – também tem dificultado a aprovação dessas usinas. As altas taxas de juros, com a Selic em 15% ao ano, também afetam o segmento, afirma.

Desde o início de 2026, os projetos de GD (Geração Distribuída) 2, que são aqueles conectados a partir de janeiro de 2023, têm que pagar 60% do “Fio B” (parcela da tarifa pelo uso da rede de distribuição). A partir de 2029, passarão a pagar 100% dos valores. De acordo com Evangelista, esse cenário dificulta a sustentabilidade econômica do empreendimento: “Em alguns estados, [o empreendimento] nem se paga, não compensa”.

“Houve uma desaceleração enorme. Está crescendo muito pouco ou quase nada, poucas pessoas têm interesse em fazer GD2 e GD3 [empreendimentos iniciados no período de transição dos descontos] em minigeração, não faz sentido em termos de negócio. Por isso que já está tendo desaceleração e vai crescer muito pouco, talvez zero, em 2026 e 2027”, afirmou.

Crescimento junto à carga
Por todos esses fatores, a CEO da Bright Strategies analisa que o crescimento da geração distribuída se dará por meio daqueles projetos junto à carga. Ou seja, tanto as placas solares residenciais quanto usinas um pouco maiores, mas localizadas no ambiente em que a energia será consumida, como uma indústria.

“A gente já tem visto ao longo dos últimos anos o crescimento da geração distribuída atingindo um platô. O setor continua crescendo, mas agora em níveis muito mais estáveis, entre 15% e 18% ao ano. A gente não espera que este ano seja diferente, deve manter o mesmo patamar de crescimento, mas, obviamente, talvez com projetos ganhando novos contornos”, diz a CEO. “Que contornos são esses? Projetos cada vez mais junto à carga, que é uma coisa que a gente já tem visto acontecer desde o ano passado.”

Essa é também a projeção do presidente da ABGD, que atribui o crescimento próximo da carga ao alto custo da energia no Brasil. “O consumidor brasileiro continua interessado em produzir a própria energia, principalmente para baixar o custo de energia, seguido pela preocupação com a sustentabilidade”, avalia. 

Curtailment
Bárbara Rubim também avalia que os cortes obrigatórios de geração, conhecidos como curtailment, são mais uma das motivações para a perda de atratividade das usinas afastadas do consumo. Isso se dá pela discussão sobre inclusão da MMGD nos cortes, seja fisicamente ou no rateio dos prejuízos aos geradores. 

Para Evangelista, da ABGD, esse debate ainda vai perdurar em 2026. “É até natural, às vezes, que outros setores queiram dividir os seus prejuízos com qualquer um que esteja pela frente, até com o consumidor que produz a própria energia. Eu acho que esse assunto não está esgotado e nós vamos continuar mostrando que não existe amparo legal para que isso seja feito.”

Para Bárbara, da Bright Strategies, a evolução do tema em 2026 depende da conclusão da consulta pública sobre o ressarcimento aos geradores, que está em andamento no MME (Ministério de Minas e Energia). “Eu acho que se o resultado dessa consulta pública, que pelo menos no primeiro momento não envolve um rateio desses custos para micro e minigeração, se ele for favorável para o setor, eu acho que esse vai ser um debate que perde força ao longo do ano. Mas se o resultado dessa consulta pública não conseguir pacificar o setor, aí sem dúvida alguma esse é um debate que se aquece”, afirma.

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