06/02/2026 | 14h00  •  Atualização: 06/02/2026 | 14h16

Tarifa de energia deve subir novamente acima da inflação neste ano

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Geraldo Campos Jr. e Marisa Wanzeller, da Agência iNFRA

A tarifa de energia elétrica deve subir cerca de 7% em 2026, de acordo com consultorias do setor consultadas pela Agência iNFRA. A TR Soluções projeta uma média de reajustes de 7,88%, enquanto a PSR espera que fique entre 6% e 7%.

Se confirmadas as expectativas, o percentual ficará novamente acima da inflação, projetada para este ano em 3,99%, e será similar ao do ano passado, quando as contas dos consumidores residenciais aumentaram 7,1%, segundo dados da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica).

Motivada pela piora nas condições hidrológicas, em função do custo maior com a aquisição de energia, a consultoria TR Soluções chegou a revisar a média prevista para este ano, que antes estava em 5,4%.

“A nossa projeção aumentou 2.48 pontos percentuais em um mês basicamente por conta da hidrologia, que entra na parcela de compra de energia. Isso pesa muito se formos olhar que a geração corresponde a 33% da tarifa do consumidor residencial”, afirma Helder Sousa, diretor de Regulação da TR. Ele explica que a projeção não inclui os adicionais de bandeiras tarifárias, mas apenas as tarifas homologadas pela ANEEL.

O head de Planejamento e Inteligência de Mercado da PSR, Mateus Cavaliere, explica que há uma tendência de alta nos componentes da tarifa para além do preço da energia, como encargos setoriais, custos de transmissão e outros componentes financeiros. 

No entanto, os cálculos da PSR ainda não contabilizam o impacto do uso da repactuação do UBP (Uso do Bem Público, royalty das hidrelétricas) no abatimento de tarifas nas regiões Norte e Nordeste. “Isso certamente puxará essa média para baixo”, avalia Cavaliere.

Diferimentos
Os cálculos da PSR também consideram os diferimentos tarifários aplicados para algumas distribuidoras em 2025, como é o caso da Light, Enel Ceará e Equatorial Alagoas, diz Mateus Cavaliere. 

Ele destaca que em alguns casos, o diferimento permitiu que apenas parte de uma redução tarifária fosse passada aos consumidores no último ano, criando um colchão para impedir um aumento elevado posteriormente. Em outros casos, o diferimento impediu que um reajuste muito elevado fosse aplicado em um único ano. O objetivo do mecanismo é evitar volatilidade nas variações anuais das tarifas. 

Para 2026, Cavaliere aponta que são esperadas algumas revisões (quando se encerra o ciclo tarifário de algumas distribuidoras), o que pode acarretar em aumentos relevantes e levar a pedidos de diferimentos para redução tarifária.

Mas o especialista destaca que é preciso ter cuidado com o uso do mecanismo para não criar um impacto na “economia real”. “Tem todo um mérito por trás dessa questão de diferimento, para não gerar as chamadas bolhas tarifárias. Mas, por outro lado, isso também tem impacto direto na economia real, a nível Brasil. Porque uma vez que eu não deixo um reajuste, por exemplo, ser muito negativo em um determinado ano, dependendo da distribuidora, isso tem um impacto muito grande na inflação, que depois rebate em juros e na economia como um todo”, afirmou Cavaliere. 

Alta da CDE
Neste ano, novamente, os encargos setoriais serão o componente que mais pesará nos reajustes tarifários, aponta a TR Soluções. A projeção é de novo aumento da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético). 

No ano passado, os encargos aumentaram 3,1% no ano, superando o aumento de custo com a aquisição da energia (+2,9%) e com a distribuição (+2,4%), conforme os números da ANEEL. Em algumas concessões, a parcela da tarifa destinada a este item já é maior que a da própria fatia da distribuidora. 

Também deve pesar mais em 2026 o custo com a transmissão, segundo as estimativas da TR. O aumento de 12% da receita do segmento no ciclo 2025/2026, aplicado desde o meio do ano passado, já foi refletido nos processos tarifários do segundo semestre, mas as demais sentirão o impacto agora. Já para o próximo ciclo, que começa em julho, a consultoria projeta uma alta 7,5% com o custeio da transmissão.

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