Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
A descaracterização de barragens de mineração demandará investimento de US$ 7 bilhões (ou R$ 36 bilhões) entre 2026 e 2030, segundo estimativa do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração). O valor corresponde a quase a metade dos US$ 14,7 bilhões projetados pela entidade para o conjunto de ações socioambientais no setor para o mesmo período.
“A estimativa é que vamos gastar mais de US$ 7 bilhões fazendo a descaracterização de barragens a montante, que eram 74 em 2019”, afirmou o diretor de assuntos minerários do Ibram, Julio Nery, em encontro com a imprensa na noite de segunda-feira (23). No início de 2025, a ANM (Agência Nacional de Mineral) contabilizou 52 barragens construídas por esse método, sendo 32 em Minas Gerais.
Barragem a montante
Após o rompimento das estruturas de retenção de rejeitos nas cidades mineiras de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, a construção ou alteamento das barragens a montante foram proibidas no Brasil. A restrição foi imposta pela Lei 14.066/2020, ao atualizar a Política Nacional de Segurança de Barragens.
As barragens a montante são caracterizadas por utilizar o próprio rejeito e sedimentos descartados na atividade mineral para apoiar os diques de contenção. Essa estrutura tem sido substituída por métodos considerados mais seguros – como pilhas de rejeito, com empilhamento a seco do material.
Investimento
No início de fevereiro, o Ibram anunciou que o setor de mineração no Brasil investirá US$ 76,9 bilhões, entre 2026 e 2030. As ações socioambientais, que incluem a descaracterização de barragens, respondem por 19% do montante total.
O encontro com jornalistas contou com a presença de Pablo Cesário, que assumirá cargo de diretor-presidente interino da instituição a partir de 2 de março.




