Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A entrada na produção de etanol por meio da compra de participação minoritária em empresa do setor segue na carteira de projetos da Petrobras, afirmou nesta sexta-feira (6) a presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Ela descartou, no entanto, a possibilidade de fazer isso por meio da Raízen, joint venture da Shell e da Cosan, que busca se reestruturar financeiramente e chegou recentemente a buscar novos sócios, sem sucesso.
Segundo Magda, a Raízen não é uma opção para a Petrobras em função da solidariedade de seu negócio de produção de etanol com o de distribuição, este último proibitivo para a Petrobras devido ao acordo de não competição com a Vibra (ex-BR Distribuidora, privatizada).
“A Raízen é uma empresa em que constam nos ativos, de uma maneira bastante solidária, etanol e distribuição de combustíveis. Temos acordo de ‘non compete’ com a Vibra, e esse acordo perdurará até meados de 2029. Portanto, qualquer coisa relativa à Raízen [e Petrobras] simplesmente não procede”. Ela falou a jornalistas na sede da empresa, no Rio de Janeiro, em encontro sobre os resultados do quarto trimestre de 2025.
Segundo Magda, a investida no etanol segue em análise na área de novos negócios da estatal. Rumores dão conta de que, ainda no fim do ano passado, a Petrobras já tinha feito rodadas de conversas com empresas e teria selecionado um grupo menor de seis produtoras do biocombustível, entre os quais as conversas mais avançadas seriam com FS e Inpasa. Magda não entrou em detalhes.
“Às vezes um trâmite que a gente acha que vai acontecer de uma forma mais rápida demora mais que o esperado. Mas está em carteira e, como tudo, vai ser submetido a todas as análises técnicas e econômicas”, disse.
Distribuição
Questionada sobre aumentos nos preços dos combustíveis nas bombas, mesmo sem que a Petrobras tenha feito reajustes em seus preços nas refinarias, Magda disse que a sociedade brasileira está pagando por escolhas equivocadas do passado, quando “acreditou que era vantajoso tirar a distribuição da Petrobras para exacerbar competição”, processo que culminou na privatização da antiga BR Distribuidora.
“O que se viu foi o exato oposto, mais concentração de mercado e a impossibilidade completa de a Petrobras chegar ao consumidor final para ‘fazer preço’. Essa é uma conta que a sociedade brasileira está pagando por uma interpretação equivocada do mercado”, disse.







