10/06/2026 | 18h01  •  Atualização: 10/06/2026 | 18h04

Serra Verde ajuda projetos ao estabelecer preço fora da China, diz CEO

Foto: Serra Verde

Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA

O presidente da Serra Verde, Ricardo Grossi, afirmou nesta quarta-feira (10) que o início da comercialização de carbonato de terras raras pela mineradora cria referência de preço do produto fora da China. Nos bastidores, o país asiático é acusado de impor preço artificial para prejudicar os concorrentes.

Segundo o executivo, a nova referência de preço que começa a ser criada a partir de Serra Verde ajuda os novos projetos de exploração de terras raras a se desenvolverem. Isso se dá não pelo volume oferecido ao mercado, que ainda é pequeno, mas por sinalizar um custo de produção vinculado a um empreendimento que funciona dentro da realidade de mercado, sem o subsídio oferecido pelo governo chinês.

Na prática, a referência de preço fora da China pode facilitar a negociação com potenciais investidores, que geralmente estão interessados em fechar contratos que assegurem a compra de parte da produção do projeto quando começar a operar. Muitos países buscam fornecedores fora da China, mas têm dificuldade de saber se estão fechando negócio com preço muito caro da matéria-prima.

“Nós experimentamos como é vender um produto dentro de um mercado que é totalmente controlado por um único país. Então, o que a Serra Verde fez foi uma mudança na precificação do produto, que eu tenho certeza que vai ser importante para outros projetos que estão vindo também”, afirmou Grossi, durante apresentação do projeto de terras raras em Minaçu, em Goiás.

O carbonato de terras raras é produzido nas primeiras etapas de processamento do material bruto extraído da mina, onde são encontrados os 17 elementos químicos essenciais para as indústrias de alta tecnologia, da transição energética e defesa.

‘Da mina ao ímã’
Grossi afirmou que, após enfrentar dificuldade de conseguir funding, a Serra Verde abriu a perspectiva de avançar, com o tempo, em todas cadeias de processamento de terras raras. Isso é possível, segundo ele, porque a mineradora contou com aporte do DFC (Corporação Financeira dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional), a fusão neste ano com USA Rare Earth e o contrato de fornecimento (off-take).

“Nós temos a garantia de fornecimento, acesso à tecnologia, podemos integrar ‘da mina ao ímã’ e temos uma previsibilidade de caixa”, afirmou o executivo, ao se referir à possibilidade de fazer a verticalização total da cadeia de terras raras, que vai da extração do produto no subsolo até a produção das superligas metálicas e ímãs permanentes.

De acordo com Grossi, a Serra Verde também está sendo a primeira empresa a usar o “transporte transoceânico” para entregar a produção de terras raras com os quatro elementos magnéticos. “Todo o fornecimento de terras raras, principalmente as pesadas, que abastecem o mercado chinês, eles vêm de caminhão, de Myanmar e Vietnã, nenhum deles vem pelo transporte transoceânico. Nós tivemos que aprender como fazer”, afirmou.

Grossi participou hoje (10) do Seminário Internacional de Minerais Críticos e Estratégicos 2026, organizado pelo Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração).

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