Luiz Araújo, da Agência iNFRA
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) registrou neste ano o maior volume de desembolsos para o setor de infraestrutura em um primeiro trimestre. Foram R$ 13,4 bilhões liberados entre janeiro e março, alta de 51% na comparação com o mesmo período do ano passado. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (12), durante a divulgação dos resultados do banco.
O incremento porcentual dos repasses para infraestrutura foi o segundo maior entre os setores financiados, ficando atrás apenas da indústria, que registrou expansão de 67%. Considerando todos os desembolsos, o BNDES atingiu R$ 36,2 bilhões, também o maior volume para um primeiro trimestre. As operações de crédito aprovadas – etapa anterior aos desembolsos – somaram R$ 45,7 bilhões, outro recorde para o período.
Em coletiva de imprensa, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou a importância da participação do banco no financiamento do setor. “Temos feito muitas parcerias na área de mercado de capitais, tanto com crédito consignado quanto no financiamento da infraestrutura. Como somos um banco público que vai longe, que consegue oferecer crédito para 25, 30 anos, é fundamental um banco como o BNDES para viabilizar esses investimentos”, afirmou.
Investimentos contratados
Considerando as carteiras de projetos de todos os setores de infraestrutura, o BNDES estima que os investimentos contratados chegarão à marca de R$ 1 trilhão na soma entre janeiro de 2023 e dezembro deste ano. Desse total, a projeção é de que R$ 300 bilhões sejam financiados pelo banco – seja por linhas de crédito diretas, seja por meio de participação nas debêntures. Os desembolsos serão realizados ao longo das décadas de duração dos contratos, conforme os cronogramas de intervenção.
Mercadante afirmou que as operações para emissão de debêntures destinadas ao setor têm se mostrado fundamentais. Lembrou que grande parte da carteira de concessões rodoviárias utiliza esse modelo de captação. Mercadante afirmou ainda que os projetos ferroviários previstos para os próximos anos devem ampliar a demanda por esses títulos.
“O Capex [investimento] é muito alto. Precisamos do mercado de capitais, porque é o setor privado que tem capacidade de financiar. Mas o banco desenha a operação, estruturamos contratos com flexibilidade e previsibilidade”, disse o presidente. Entre 2023 e o ano passado, o banco subscreveu R$ 74,2 bilhões em debêntures voltadas à infraestrutura – compra direta de parte dos títulos emitidos.
O presidente também destacou que a nova estrutura operacional do banco não concede subsídios específicos nas linhas voltadas à infraestrutura. “Tem inteligência profissional. Nós ousamos, inovamos, e o mercado tem reconhecido e nos acompanhado”, disse. Mercadante ressaltou ainda que, entre os projetos prioritários, o BNDES definiu foco no financiamento das obras do Aeroporto Internacional do Galeão, administrado pela Aena, e da Rodovia Fernão Dias, administrada pela Motiva.





