Gabriel Vasconcelos e Lais Carregosa, da Agência iNFRA
O diretor de Estratégia e Inovação da CPFL, Bruno Monte, defendeu nesta quinta-feira (18) que o Brasil acelere a contratação de armazenamento para chegar a 10% da carga nacional, que hoje gira em torno de 80 GW med (gigawatts médios). Para o executivo, o país já deveria ter algo entre 8 GW a 10 GW de baterias contratadas.
“Quando olhamos para experiências internacionais, como Austrália, Chile, Estados Unidos, China, o número é de 10% a 15% da carga [do país] em armazenamento que eles já têm implementado”, afirmou a jornalistas após participar de painel sobre o tema no Enase (Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico), no Rio de Janeiro.
Bruno destaca, no entanto, que o primeiro leilão de baterias do Brasil, previsto para dezembro, não deve resolver toda a necessidade de armazenamento do sistema.
No painel, o executivo afirmou que o certame dedicado à tecnologia deve destravar e dar escala às baterias no Brasil. Até o momento, as empresas vinham desenvolvendo soluções de armazenamento como pesquisa e desenvolvimento. A CPFL, por exemplo, tem um projeto em parceria com a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) associado a uma planta solar fotovoltaica.
“Com o leilão, a gente dá um passo necessário, talvez tardio, de sair dessa escala de pesquisa, que ainda está longe dos projetos de 30 MW [megawatts]. São ativos de até 5 MW, 1 MW, de escala menor”, disse.
Conteúdo local
Questionado sobre a exigência de conteúdo local, Bruno destacou que a separação do leilão em duas datas “equilibrou” um eventual risco de inviabilizar a competitividade do certame.
“Teríamos outra data para ter a competição do leilão. Então, acho que o próprio mecanismo já conseguiu de alguma forma amarrar bem o incentivo ao conteúdo local, mas mantendo também a abertura para o conteúdo não local, e com isso garantindo a efetividade do leilão”, frisou.





