18/06/2026 | 15h48  •  Atualização: 18/06/2026 | 16h10

Super El Niño deve adiar queda de reservatórios neste ano, diz Nottus

Foto: Usina Hidrelátrica de Mauá

Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

O super El Niño previsto para este ano deve adiar a queda nos reservatórios do sistema elétrico das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, avalia a Nottus, empresa de consultoria meteorológica. A projeção é de que o fenômeno, que começou oficialmente na última semana, intensifique-se nos próximos meses, sobretudo a partir de setembro, e dure até fevereiro de 2027.

Segundo Alexandre Nascimento, sócio-diretor da Nottus e meteorologista, neste primeiro momento, o El Niño pode ser benéfico para o SIN (Sistema Interligado Nacional), uma vez que, ao levar chuvas mais frequentes para o Sul e até para estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul, manteria as afluências elevadas. Por outro lado, há o risco de as chuvas fortes com ventanias afetarem as redes de distribuição e transmissão, podendo causar interrupções.

“Os reservatórios estão em níveis relativamente bons, mas, se daqui em diante não tivéssemos chuva, não teríamos tanta gordura assim para esperar 2027. Mas essa chuva agora adia o deplecionamento dos reservatórios. Isso sem contar a presença das temperaturas mais amenas, o que vai dando uma segurada no consumo”, afirmou.

A preocupação maior para o sistema relacionada ao El Niño é sobre 2027, explica Nascimento. Isso porque, ao levar mais chuvas para o Sul, o fenômeno impõe secas mais severas no Norte do país, região com a qual o sistema conta muito no início de cada ano. Além disso, o verão tende a ser ainda mais quente, com ondas de calor que devem aumentar o consumo de energia.

Eólica e solar
De acordo com as previsões da Nottus, o El Niño também deve intensificar a safra de ventos deste ano, que começou mais cedo e tende a ser mais forte. O fenômeno também deve beneficiar a geração solar na porção Norte do país, onde deve ficar mais quente e seco.

No inverno, no entanto, Alexandre Nascimento afirma que esse cenário de estímulo à produção das renováveis combinado com a predominância do frio deve incentivar os cortes de geração das usinas, o chamado curtailment.

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