07/07/2026 | 13h18  •  Atualização: 07/07/2026 | 13h19

Data centers querem planejamento energético conectado a investimentos

Foto: Depositphotos

Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA

O setor de data centers vê como um dos desafios centrais para consolidação no Brasil a necessidade de compatibilizar o planejamento setorial de energia, em especial o de expansão da transmissão, com o ciclo dos investimentos de implantação dos parques de dados. A conclusão consta em estudo da FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulgado nesta terça-feira (7).

O estudo propõe a criação de um grupo especial para fazer esse trabalho de coordenação integrada, liderado pelo MME (Ministério de Minas e Energia) e integrado por entidades como EPE (Empresa de Pesquisa Energética), ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), CCEE (Câmara de Comercialização de Energia) e representantes do setor e da academia, para aprimoramento do planejamento, proposição de medidas e monitoramento de indicadores.

Um das necessidades de aprimoramento no planejamento, segundo a publicação, é garantir acesso previsível e célere à rede para cargas ultraeletrointensivas, com maior previsibilidade na projeção de demanda e gestão de conexão. Durante o evento de lançamento, realizado na sede do Instituto Brasil Competitivo, representantes do setor destacaram que o modelo atual de acesso é ruim para o desenvolvimento dos projetos.

Um pleito comum no evento foi o de criação de um mapa nacional indicativo de margens de escoamento e estudos de sinalização de expansão do SIN (Sistema Interligado Nacional) para atender à rampa de projetos de data centers. Além disso, o estudo propôs que os leilões de margem sejam feitos com classificação por ordem de maior capacidade (MW/GW) e tenha processo mais simples para empreendimentos já conectados e que buscam apenas a renovação do acesso.

Hoje, cerca de metade do custo de operação de um data center é com energia elétrica. Conforme o estudo, podem atenuar esse impacto instrumentos como formação de preços por oferta, sinal locacional, contratos de longo prazo, eventual redução de ICMS sobre energia elétrica e transferência de custos de subsídios da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) para o Tesouro Nacional.

Redata
Durante o evento de lançamento, representantes do setor de data centers defenderam o avanço do projeto do Redata (Regime Especial de Data Centers) no Congresso Nacional. O tema está com tramitação parada no Senado, ainda aguardando designação de relator.

Os agentes defenderam alterações no texto, como inclusão de outras fontes de energia além das renováveis, para suprimento das plantas, e também ajustes nos benefícios fiscais oferecidos.

O senador Laércio Oliveira (PP-SE) afirmou que a expectativa é de retomada do tema após as eleições. Ele disse que atuou para a MP (Medida Provisória) enviada pelo governo caducar justamente porque precisava de ajustes e não haveria tempo hábil.

Estudo
O estudo apresentado pela FGV, encomendado por Scala Data Centers e Norgás, analisou os impactos econômicos da expansão da infraestrutura digital no país e os fatores que influenciam sua competitividade no cenário internacional. A conclusão aponta que vantagens como a matriz elétrica majoritariamente renovável, o posicionamento geográfico estratégico, o tamanho do mercado doméstico e a crescente demanda por serviços de nuvem e de inteligência artificial colocam o país em posição relevante na disputa global por investimentos em infraestrutura digital.

Os impactos econômicos associados ao setor são expressivos. No cenário mais ambicioso analisado pela FGV, que considera a expansão da capacidade instalada de infraestrutura digital de aproximadamente 1 GW para 13,7 GW até 2035, o país poderia mobilizar entre US$ 431,8 bilhões e US$ 698,5 bilhões em investimentos totais, equivalentes a aproximadamente R$ 2,3 trilhões a R$ 3,7 trilhões.

Além da previsibilidade energética com o maior alinhamento com o planejamento, o estudo destacou avanços necessários para o país ampliar a competitividade no setor, como maior coordenação institucional, ambiente regulatório estável e mudanças na carga tributária sobre equipamentos e serviços.

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