Ana Luísa Egues, da Agência iNFRA
A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) estima que a Bacia de Pelotas possui um volume total de óleo e gás de 17,9 bilhões de barris de óleo equivalente (boe), segundo estudo divulgado pela empresa na terça-feira (29). O trabalho faz parte do projeto de análise das bacias sedimentares brasileiras, iniciado pela Diretoria de Estudos do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da autarquia em 2022.
Esse volume surge de uma avaliação preliminar do potencial de recursos não descobertos da Bacia de Pelotas. Para chegar ao número, a EPE revisou os dados disponíveis dos nove poços exploratórios perfurados no offshore da bacia, além de interpretar 4.541 linhas de sísmica 2D, sob supervisão da consultoria da R&F Advisory. Desta forma, foram identificados 80 “leads” (indícios geológicos de óleo) tanto dentro da área dos blocos atualmente sob contratos de concessão, quanto fora deles.
Primazia do gás
Desses 80 leads, 64 (80%) são de gás, totalizando aproximadamente 1 bilhão de m³ de gás natural recuperáveis. No entanto, como não se perfura nenhum poço exploratório na Bacia de Pelotas desde 2001, a EPE destaca que os resultados possuem elevado grau de incerteza e devem ser interpretados como indicativos de ordem de grandeza do potencial exploratório, sujeitos a revisão à medida que novos dados e estudos estejam disponíveis.
Esses leads são recursos prospectivos que contribuem para definir a localização de um poço exploratório (prospecto), o que ainda requer mais aquisição ou avaliação de dados sísmicos ou de poços correlatos.
Atualmente, a Bacia de Pelotas possui 47 blocos exploratórios em concessão, sendo 32 operados pela Petrobras e 15 pela Chevron. Especificamente, a estatal opera 26 blocos em consórcio com a Shell, três blocos em consórcio com a Galp e outros três blocos em consórcio com a Shell e a CNOOC. Já a Chevron opera os 15 blocos de forma integral.
Potencial por analogia
A Bacia de Pelotas é uma das bacias sedimentares que compõe a Margem Atlântica Sul Brasileira, na fronteira com o Uruguai e abrangendo todo o litoral do Rio Grande do Sul e parte do litoral de Santa Catarina. A bacia é análoga geologicamente à promissora Bacia da Orange, na Namíbia, que possui cerca de 18 bilhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás) “in place”, segundo dados da Rystad Energy.
A recente campanha exploratória empreendida na bacia africana resultou na declaração de 14 descobertas, com o primeiro óleo estimado para o campo de Vênus, da francesa Total e da portuguesa Galp, em 2030.





