Rafael Bitencourt, da Agência iNFRA
A dependência da importação de fertilizantes levou o Brasil a acumular o gasto de R$ 1,4 trilhão com a compra do insumo agrícola no exterior ao longo dos últimos 30 anos, segundo cálculo divulgado nesta terça-feira (13) pelo Sinprifert (Sindicato Nacional da Indústria de Matérias-Primas para Fertilizantes).
O valor da despesa foi incluído no documento “Carta Aberta ao Brasil”, em que a entidade critica a dependência externa. O sindicato ressalta que, ao longo das últimas três décadas, o país ampliou sua dependência de fertilizantes importados de 55% para 90%.
Sem NPK
O Sinprifert ressalta que o Brasil, ao mesmo tempo em que se consolidou como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, tornou-se dependente da compra no exterior das três principais fontes de nutrientes para suas lavouras, conhecidas pela sigla NPK. Atualmente, o país precisa importar 97% do nitrogênio (N) e do potássio (K), além de 74% do fósforo (P).
“Somos o maior importador de fertilizantes do mundo: de cada dez toneladas de nutrientes que repõem a fertilidade do solo brasileiro, nove vêm de fora”, frisou a carta.
Guerra no Irã
De acordo com o sindicato, o fechamento do Estreito de Ormuz, em consequência da guerra contra o Irã, dobrou o preço do enxofre, matéria-prima utilizada na fabricação de fertilizantes fosfatados. Isso, informou a entidade, levou à paralisação de unidades produtivas no Brasil.
Durante o conflito no Oriente Médio, a agricultura brasileira aumentou a produção agrícola. A safra de grãos passou de 123 milhões para 350 milhões de toneladas, entre 2002 e 2025, citando dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).
No mesmo período, a área plantada aumentou de 43,9 milhões para 81,7 milhões de hectares. Ao mesmo tempo, as entregas de fertilizantes passaram de 19 milhões para 49 milhões de toneladas, conforme dados da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos).





