da Agência iNFRA
O Fase (Fórum das Associações do Setor Elétrico), em nome de 21 entidades, pediu ao presidente Lula prioridade na regulamentação do Redata, regime que prevê incentivos fiscais para data centers. Em carta enviada na sexta-feira (16), as associações alertam que a demora na publicação do decreto pode comprometer o uso dos benefícios tributários.
A suspensão de PIS/Pasep, Cofins e IPI, que concentra a maior parte dos incentivos, vence em 31 de dezembro de 2026. Segundo dados mencionados da Receita Federal, o benefício é estimado em R$ 5,2 bilhões neste ano. As entidades pedem regras para adesão ao regime e definição dos equipamentos contemplados.
A Brasscom projeta US$ 92 bilhões em investimentos em data centers no Brasil até 2031. A demanda energética dessas instalações deve passar de 0,3 GW médio em 2026 para 5,7 GW médios em 2030, quase um terço do crescimento previsto do consumo elétrico nacional no período.
Entre as fontes que podem abastecer essas instalações, a Abren (Associação Brasileira de Energia de Resíduos), uma das signatárias da carta, destaca a recuperação energética de resíduos sólidos. A fonte é prevista na lei como opção de energia de baixa emissão para atender às exigências do Redata e tem a vantagem de gerar eletricidade continuamente, sem depender das condições climáticas. Biomassa, biogás e biometano também são citados.
Segundo a Abren, as usinas de recuperação energética operam com fator de capacidade entre 92% e 95%, característica que pode atender à demanda contínua dos data centers. A entidade também defende o conceito Wastai (Waste to Data), que propõe integrar, em um mesmo complexo, uma usina de recuperação energética de resíduos e um data center, aproveitando o calor gerado no tratamento do lixo para auxiliar no resfriamento dos servidores.
O Brasil gera cerca de 192 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia e ainda não possui usina comercial de recuperação energética em operação, segundo levantamento da Abren. A associação estima potencial de 3,3 GW em 28 regiões metropolitanas, com 441 MW em projetos. A primeira usina da América Latina, em Barueri (SP), com capacidade de 20 MW, tem previsão de início de operação em 2027.
Na avaliação do Fase, a demora na regulamentação pode adiar contratos de energia e investimentos em geração, armazenamento e redes. A carta também aponta indefinições sobre pedidos de conexão em análise no ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e cita cortes de cerca de 20% da geração eólica e solar potencial desde 2025, sobretudo no Nordeste, como outro desafio para o aproveitamento da energia disponível.





