da Agência iNFRA
O Brasil utiliza economicamente cerca de 20 mil quilômetros de vias interiores navegáveis para o transporte de cargas, menos da metade dos aproximadamente 41 mil quilômetros previstos no PNV (Plano Nacional de Viação). Os dados fazem parte de um estudo, divulgado nesta quarta-feira (21), sobre regulação e governança da navegação interior brasileira, elaborado pela Pezco Economics, por iniciativa da CNT (Confederação Nacional do Transporte).
O levantamento aponta entraves à expansão do transporte hidroviário no país, como fragmentação da governança, insegurança regulatória, deficiências de infraestrutura e dificuldades de financiamento. Para o presidente da entidade, Vander Costa, “aproveitar essa capacidade exige planejamento, infraestrutura adequada e segurança regulatória”.
“O Brasil tem um potencial hidroviário expressivo […]. Avançar nesses pontos é imprescindível para integrar melhor o sistema de transporte, ampliar a eficiência logística e contribuir para a competitividade da economia brasileira”, completou Costa, em nota divulgada pela confederação.
Segundo dados da ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) compilados no estudo, em 2025, a navegação interior movimentou 91,3 milhões de toneladas, alta de 19,7% em relação ao ano anterior. Quando incluída a parcela da cabotagem realizada em vias interiores, o volume chega a aproximadamente 116 milhões de toneladas.
Recomendações
O estudo propõe uma agenda de recomendações de curto, médio e longo prazo, indo até 2046. Para o transporte de cargas, as medidas estão organizadas em seis eixos: visão estratégica das hidrovias; governança e segurança regulatória; infraestrutura; mão de obra e capacitação; segurança; e financiamento.
Entre as recomendações feitas no documento aparecem a criação de uma instância nacional de coordenação da política hidroviária e a elaboração de um plano setorial hidroviário. O texto ressalta ainda a importância de fortalecer a dragagem e a manutenção das vias e assegurar a continuidade do PROECLUSAS (Programa de Operação e Manutenção de Eclusas), do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). O estudo também propõe planejar intervenções por corredores logísticos e aperfeiçoar mecanismos de financiamento.
Passageiros
Já no transporte de passageiros, o documento aponta falta de dados estruturados, informalidade, infraestrutura insuficiente e dificuldades de financiamento. O texto recomenda que, nesse caso, seja feita a regularização gradual dos operadores, o aprimoramento das autorizações, a melhoria de terminais e estruturas de embarque e desembarque e o fortalecimento da segurança operacional.




