16/01/2026 | 15h50  •  Atualização: 16/01/2026 | 19h10

Brava compra participações da Petronas na Bacia de Campos e surpreende

Foto: Brava

Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA

A Brava Energia anunciou nesta sexta-feira (16) a aquisição da participação de 50% da petroleira malaia Petronas no campo de Tartaruga Verde (Concessão BM-C-36) e no Módulo III do campo de Espadarte, localizados no sul da Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro. A transação tem valor total de US$ 450 milhões. Ambos os ativos são operados pela Petrobras, que seguirá como sócia da Brava no negócio.

O anúncio veio cinco dias depois de a companhia comunicar a troca no comando, com a chegada de Richard Kovacs para o cargo de CEO no lugar de Décio Oddone, que comandou a empresa durante a fusão que a criou, entre as antigas Enauta e 3R Petroleum. O novo comando criou, no mercado financeiro, expectativas de redução célere no grau de endividamento da companhia, o que fez os papéis subirem nos últimos dias.

A notícia da aquisição de novos ativos hoje, por mais que tenha sido arquitetada pela gestão Oddone, corroeu, em parte, essa expectativa por reforçar uma visão de mais custos, e levou a uma perda parcial da valorização verificada desde o início da semana. Próximo das 14h, as ações da Brava caíam 2% na sessão da B3.

Relatório da XP Investimentos descreve o movimento como “inesperado”, uma vez que a expectativa do mercado era que a Brava vendesse ativos para reforçar caixa. Ainda assim, os analistas da XP dizem que o negócio “se enquadra no balanço” da empresa e deve assistir a uma redução nos valores devidos em função de ajustes futuros até o fechamento do negócio. A XP destaca como ponto positivo, ainda, o fato de o petróleo produzido nos dois campos ser do tipo leve, o que reforça a tese de diversificação do portfólio da Brava, até então muito concentrado em petróleo pesado.

Em comunicado ao mercado via CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a Brava informou que o novo negócio está “alinhado à estratégia de revisão contínua do portfólio e ao compromisso em buscar retorno ajustado a riscos, diversificação de ativos e eficiência na alocação de capital”. Também informou que a petroleira vai continuar avaliando oportunidades estratégicas de revisão de portfólio, “mantendo o compromisso de criar valor a longo prazo”. Isso significa a possibilidade de venda e compra de novos ativos.

Aprovação e pagamento
Segundo a Brava informou ao mercado via CVM, os US$ 450 milhões serão pagos da seguinte maneira: US$ 50 milhões na data de assinatura do contrato, o que aconteceu nesta quinta-feira (15); US$ 350 milhões no fechamento da transação; e duas parcelas finais no valor de US$ 25 milhões cada, a serem pagas em 12 e 24 meses após o fechamento do negócio, respectivamente.

A conclusão da transação ainda está sujeita às aprovações do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Ainda assim, a Brava informou que a expectativa é de fechamento ainda em 2026, o que coloca a maior parte do desembolso (US$ 350 milhões) dentro do horizonte de um ano.

Ativos
O campo de Tartaruga Verde e o Módulo III de Espadarte estão localizados na porção sul da Bacia de Campos, em lâmina d’água entre aproximadamente 700 metros e 1,62 mil metros, e reservatórios a cerca de 3 mil metros de profundidade.

A unidade conta atualmente com 14 poços produtores, sendo 11 associados ao campo de Tartaruga Verde e três poços no Módulo III de Espadarte. No ano passado, a produção média dos ativos foi de aproximadamente 55,6 mil boe/d (barris de óleo equivalente por dia), composta majoritariamente por óleo, com parcela residual de gás natural escoado pelo gasoduto de Enchova até o terminal de Cabiúnas. Isso significa que, se essa produção permanecer estável, a Brava terá um incremento imediato de 27,8 mil boed em sua produção, volume significativo para o momento da companhia.

Em 2025, até o quarto trimestre, a produção média da Brava foi de 81,3 mil boe/d, o que, segundo fontes, já se previa alcançar algo entre 100 mil e 110 mil boed após a conexão de novos poços no principal ativo da empresa, o campo de Atlanta, e em Papa Terra, ao longo de 2026 e 2027. A jornalistas, no fim do ano passado, o diretor financeiro da empresa, Luiz Carvalho, chegou a prever um Capex de US$ 550 milhões em 2026, sendo dois terços (pouco mais de US$ 360 milhões) para essas novas campanhas de perfuração. Agora, com o incremento dos ativos recém-adquiridos, essa produção poderá se aproximar dos 140 mil boe/d nos próximos anos.

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