da Agência iNFRA
O Centronave (Centro Nacional de Navegação Transatlântica) alertou para o risco de interrupção do transporte marítimo de cargas para Manaus durante a seca de 2026, caso as empresas de navegação não consigam recuperar os custos extraordinários das operações por meio da cobrança da sobretaxa de seca. A entidade questiona as novas exigências estabelecidas pela ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) para a cobrança da tarifa.
Segundo a associação, a redução do nível dos rios obriga os navios a transportar menos carga e aumenta a necessidade de transbordos, uso de barcaças e estruturas flutuantes. Estudo da consultoria Alvarez & Marsal, citado pelo Centronave, aponta que uma redução de dois metros no calado diminui em 35% a capacidade dos navios e eleva em cerca de 63% o custo por contêiner. Com redução de 3,2 metros, a capacidade cai 55% e o custo aumenta 147%.
A entidade critica a Deliberação-DG 70/2026 da ANTAQ, que estabeleceu um procedimento de homologação prévia para a cobrança da sobretaxa. Segundo o Centronave, a medida exige que as empresas antecipem em 30 dias os custos decorrentes da estiagem, sem critérios objetivos para avaliar sua suficiência. A associação também questiona a referência de 17,7 metros no nível do Rio Negro, em Manaus, para permitir o início da cobrança, argumentando que há restrições à navegação mesmo acima dessa marca.
O Centronave afirma que a impossibilidade de recuperar os custos adicionais pode comprometer o abastecimento de Manaus e as atividades do Polo Industrial. A entidade lembra que, durante a seca de 2023, a região ficou cerca de 45 dias sem receber navios, com queda de 85% na movimentação de contêineres e 17 mil trabalhadores colocados em férias coletivas.
A associação defende que a ANTAQ considere as condições efetivas de navegação, como o CMR (Calado Máximo Recomendado), e adote um procedimento mais ágil para autorizar a cobrança. Também pede a realização de dragagens nos trechos críticos para garantir a continuidade do transporte durante a estiagem.





