da Agência iNFRA
Tema central na agenda das mudanças climáticas, o financiamento climático é considerado essencial para viabilizar projetos de adaptação e mitigação, com a necessidade de olhar a preservação por um aspecto econômico. Esses assuntos foram o foco do painel de encerramento do “CNN Talks + iNFRA: COP30 | Resiliência Climática – Regulação e Financiamento”, promovido no último dia 8 de julho pela CNN Brasil e Agência iNFRA, com patrocínio da Enel Brasil.
Segundo documento apresentado na reunião dos Brics nesta semana, há uma estimativa de US$ 1,3 trilhão em compensações que os países desenvolvidos deveriam aportar para apoiar nações de renda média e baixa, permitindo a redução de emissões sem comprometer o desenvolvimento local. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), proposto pelo Brasil para a preservação das florestas tropicais, também foi tema das discussões.
“A questão das fontes de financiamento permeia toda a agenda climática. Passa pela mobilização de recursos privados, onde as empresas têm papel fundamental, mas também pelos bancos multilaterais, pelo financiamento bilateral entre países e pelo compromisso de cada governo em destinar recursos públicos. Nosso desafio é criar marcos e compromissos que tornem esses recursos efetivos e disponíveis”, afirmou o secretário de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Aloisio de Melo.
Melo participou do painel “Financiamento Climático: Quem paga o futuro?” ao lado do governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, e da diretora-presidente da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), Veronica Sánchez.
Junto à preservação das florestas, a infraestrutura hídrica foi apontada como um dos principais desafios de curto prazo, exigindo modernização e novos investimentos. “O Brasil conta com infraestrutura hídrica construída nas décadas de 1950, 1960 e 1970, basicamente com recursos da União”, observou Veronica Sánchez, destacando que hoje o grande desafio é o armazenamento de água.
“Quando se fala em mitigação, pensamos em descarbonização; quando se fala em adaptação, falamos em água. E o aumento da temperatura global pode reduzir a disponibilidade hídrica em até 40% em grande parte do Brasil entre 2040 e 2070”, completou, ao defender mais investimentos públicos e privados no setor.
A diretora-presidente da ANA ainda destacou parcerias com o setor privado e citou a expectativa de concluir a modelagem da concessão da Transposição do Rio São Francisco ainda neste ano.
Agricultura tropical
O governador do Mato Grosso do Sul destacou que o financiamento tem sido viabilizado por um mix de políticas públicas e ações privadas. O estado, forte produtor agropecuário, enfrenta o desafio de equilibrar a produtividade, que é base das exportações brasileiras, com a preservação do bioma Pantanal, o que tem sido feito com políticas públicas em conjunto com o setor privado.
“Se olharmos o uso e a ocupação do solo nos últimos dez anos, veremos a dinâmica de transição para atividades que só a agricultura tropical pode oferecer ao mundo, em termos de produtividade e balanço de carbono”, disse, ao citar a capacidade da região de reter carbono no solo e, ao mesmo tempo, garantir ganhos de produtividade e acesso a novas fontes de financiamento.
Para o governador, a combinação entre produtividade agrícola e preservação ambiental pode ampliar o acesso a financiamentos verdes e consolidar o Brasil como referência em práticas de baixo carbono, defendendo que as políticas ambientais devem ser vistas sob um viés econômico.






