Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A advogada e delegada da Polícia Federal Cristina Bueno Camatta foi eleita pelo Conselho de Administração da Petrobras, por oito votos a três, para o cargo de ouvidora-geral da estatal. Ela superou outros nomes da lista que foram à votação no colegiado no fim da tarde desta sexta-feira (29), como a gerente de Riscos Sociais e Direitos Humanos da companhia, Sue Wolter, a gerente executiva de conformidade, Renata Citriniti e a diretora do departamento jurídico, Paula Porto.
Camatta já acumula as posições de conselheira fiscal da petroleira e assessora especial do MME (Ministério de Minas e Energia), sendo amiga pessoal do chefe da pasta, Alexandre Silveira.
A Agência iNFRA apurou que todos os seis conselheiros representantes do governo no colegiado e outros dois representantes dos minoritários (o empresário Juca Abdalla e o contador Aloísio Macário) votaram em bloco por Camatta.
No grupo de conselheiros do governo que votou por Camatta estava a própria presidente da estatal, Magda Chambriard. Isso joga água na fervura dos bastidores dos último dias. O jornal O Globo reportou atritos entre Silveira e Magda sobre a questão. Segundo o jornal, Magda teria tentado emplacar nome diferente, inclusive aumentando o número de concorrentes ao cargo, para dar opção aos pares no colegiado. No fim das contas, ela votou em Camatta, nome de preferência do ministro Silveira. O MME vem sustentando que não participou e nem exerceu influência no processo de indicação para o cargo.
No entanto, fonte com conhecimento do assunto confirmou à Agência iNFRA o movimento de Silveira para emplacar Camatta, o que teria despertado “cautela” dentro da companhia, inclusive da parte de Magda Chambriard que, em algum momento, teria incentivado nomes de sua confiança. O cargo de ouvidor-geral é visto como sensível para a gestão. Essa leitura teria crescido desde que dezenas de casos de assédio sexual vieram a tona em meados de 2023 e foram posteriormente confirmados pela empresa. À época, houve troca de acusações sobre a responsabilidade do caso e sua repercussão, o que pesou contra a ouvidoria-geral.
Depois disso, a diretoria de Governança e Responsabilidade foi reformada, ganhando mais peso, em detrimento da ouvidoria. Ainda assim, há preocupação com a função, ligada ao Conselho de Administração e incumbida de tratar denúncias anônimas dentro da companhia, feitas por meio da plataforma Contato Seguro. A posição vinha sendo ocupada de forma por Cristiano Andrade, um funcionário de carreira da estatal, desde julho do ano passado.
Um interlocutor do governo negou veementemente a disputa de poder entre Silveira e Magda e, como argumento, aponta o placar final da votação. Só não teriam votado em Camatta os conselheiros minoritários Franscisco Petros e Jerônimo Antunes, além da representante dos funcionários, Rosângela Buzanelli.





