Geraldo Campos Jr., da Agência iNFRA
Diretores da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) fizeram críticas nesta terça-feira (23) ao pedido do MME (Ministério de Minas e Energia) de retirada do maior lote do leilão de sistemas isolados (lote II), marcado para sexta-feira (26) – pleito que foi atendido pela comissão de leilões da reguladora. Segundo o relator do certame, diretor Fernando Mosna, trata-se de um pedido contraditório da pasta.
Mosna destacou que o lote é expressivo e voltado a atender localidades que o ministério classificou como de necessidade de contratação emergencial de geração, por isso é importante que seja apontado o impacto da decisão de postergar a licitação. “Não sei como isso vai ser conduzido futuramente, não sei se de modo sucessivo terá aprovações no CMSE [Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico] para prorrogar contratos, para colocar back-up, mas eu acredito que, da maneira que estava estruturado, era o melhor encaminhamento para aquela região do Amazonas”, ressaltou Mosna, que disse ainda confiar “no espírito público do ministro Alexandre Silveira e que ele vai dar celeridade a esse leilão”.
O diretor-geral, Sandoval Feitosa, afirmou que trata-se do terceiro certame que a ANEEL precisa alterar nas vésperas, mencionando o LRCAP (Leilão de Reserva de Potência na forma de Capacidade) e o leilão de transmissão. “Pela eficiência da gestão dos recursos internos da agência, que são escassos, não podemos nos dar ao luxo de trabalhar, trabalhar, trabalhar e depois ter que parar tudo e ter que começar de novo. O equilíbrio do suprimento é responsabilidade do MME, então tenho certeza que essa decisão foi tomada pensando nisso”, afirmou.
Já o diretor Willamy Frota pontuou que a retirada do lote afeta a previsibilidade e que, “além do retrabalho que será direcionado à agência, preocupa o atendimento às localidades”. Segundo ele, algumas delas “já estão passando por dificuldades com a geração dessas usinas”.





