Gabriel Vasconcelos, da Agência iNFRA
A gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), Karine Fragoso, disse nesta terça-feira (4) que a indústria nacional já pode voltar a fornecer módulos de navios-plataforma de petróleo (FPSO) e avançar também nos serviços de integração e comissionamento desses equipamentos.
Karine lembra que fornecedores locais chegaram a ter presença nessas etapas da cadeia entre 2005 e 2015, espaço perdido na útlima década em função de fatores internos, como questões tributárias, mudanças na condução da Petrobras, e também pelo avanço da China nesse mercado.
“Existem alguns módulos que podem ser contratados no Brasil. E a gente vem trabalhando também para trazer de volta para o Brasil a fase de integração e comissionamento desses módulos, que foi algo que nós perdemos nos últimos dez anos”, disse Karine.
Os módulos de um FPSO são as estruturas metálicas instaladas no convés superior, chamado topside. Os principais blocos que compõem essa planta industrial incluem módulos de separação de fluidos, compressão de gás e injeção de água.
Karine pontuou uma demanda futura, só da Petrobras, de 250 mil toneladas em topside e que a estatal tem marcado posição na elevação dos percentuais mínimos de conteúdo local, o que tem gerado expectativa positiva no mercado.
Integração de equipamentos
Nas palavras de Karine, a etapa de integração, se “renacionalizada”, pode funcionar como um imã de atração para a fabricação dos módulos no país.
“Com isso a gente também ganha a possibilidade de extensão dos prazos de construção desses módulos, porque, se eles são construídos para serem integrados e comissionados aqui, você não tem que encaminhá-los para fora do país para que depois ele retorne [eliminando o tempo de transporte]”, diz. Segundo a especialista, portanto, hoje a indústria nacional consegue fazer a especificação localmente, alcançar preços competitivos, reduzir prazos e trazer as etapas de instalação dos equipamentos.
Ela destaca, ainda, que a conjuntura, após a pandemia de Covid-19, e agora marcado por instabilidades geopolíticas é “oportuna” para que o setor desenvolva competências locais de construção e instalação, no sentido de garantir fornecimento e reduzir riscos de inflação.





