da Agência iNFRA
Representantes do governo federal vão tentar, nesta segunda-feira (23), debelar a crise no terminal portuário de grãos da Cargill em Santarém (PA), que se estende desde o início deste mês, quando manifestações de grupos de indígenas fecharam o acesso ao terminal. Na sexta-feira (20), os manifestantes invadiram o local, que está com suas atividades paralisadas.
Os indígenas protestam contra os projetos do governo de ampliar a navegação pelos rios, com a concessão de trechos para a iniciativa privada. Pedem a revogação do Decreto 12.600/2025 que inclui as hidrovias do Tapajós, do Tocantins e do Madeira no PND (Programa Nacional de Desestatização).
De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Sonia Guajajara (Povos Originários) vão receber manifestantes nesta segunda. Representantes do Ministério de Portos e Aeroportos também estão em Santarém para tentar uma negociação.
Entre as alegações dos manifestantes está a de que as hidrovias estão sendo concedidas sem consulta aos indígenas afetados. Eles alegam ainda que não foram escutados pelo governo no período de bloqueio do terminal e, após uma decisão judicial em ação da empresa pela desobstrução do acesso ao terminal, decidiram invadir a área.
Em nota, o Ministério de Portos e Aeroportos disse que “reforça que o Decreto nº 12.600 não trata de privatização, mas apenas autoriza a realização de estudos técnicos” e que “é fundamental que o diálogo seja mantido para que se alcancem soluções. Entretanto, todas as decisões judiciais devem ser cumpridas”.
A ABTP (Associação Brasileira de Terminais Portuários) publicou nota em que afirma “repudiar com veemência” a invasão e que “os episódios configuram ações inaceitáveis e incompatíveis com qualquer forma legítima de reivindicação”, lembrando que as reivindicações dizem respeito a matérias de competência exclusiva do poder público.





